Embaixador sugeriu que “seria bom” se Israel tomasse territórios baseados em passagens bíblicas; bloco de 14 países árabes e muçulmanos classifica declaração como “perigosa e inflamada”.
O governo americano reiterou que sua política oficial permanece inalterada, mas o silêncio inicial de Donald Trump sobre o caso alimenta especulações sobre as reais intenções da nova administração.
🎙️ A Entrevista e o “Contexto”

O imbróglio começou durante uma conversa entre Huckabee e o apresentador Tucker Carlson. O debate girou em torno de uma interpretação literal do capítulo 15 do livro de Gênesis:
- A Pergunta: Carlson questionou se Israel teria direito às terras que, biblicamente, iriam do Rio Nilo ao Rio Eufrates (abrangendo Jordânia, Síria, Iraque e Líbano).
- A Resposta: Huckabee afirmou que “seria bom se eles tomassem tudo”, embora tenha ressalvado em seguida que Israel não está pedindo por isso no momento, mas apenas pela segurança das terras que já ocupa legitimamente.
- A Defesa dos EUA: O porta-voz da embaixada argumentou que o embaixador falava em tom hipotético/teológico e que ele mesmo esclareceu que Israel não pretende invadir países vizinhos.
🚫 A Reação em Bloco


A resposta do mundo árabe foi rápida e unificada. Em uma rara declaração conjunta, países como Arábia Saudita, Egito, Turquia e Indonésia condenaram a fala:
- Risco de Instabilidade: O grupo afirma que tais comentários incentivam movimentos extremistas e deslegitimizam as fronteiras reconhecidas internacionalmente.
- Soberania: A Jordânia e o Líbano, especificamente, viram a declaração como uma ameaça direta à sua integridade territorial.
- Processo de Paz: Analistas apontam que a fala enterra qualquer tentativa imediata de mediação para a solução de dois Estados.
🏛️ Impacto na Política Externa de Trump

Mike Huckabee é conhecido por ser um cristão evangélico sionista ferrenho. Sua nomeação para a embaixada já havia sido recebida com ceticismo por setores moderados.
- A Saia Justa: O incidente ocorre no momento em que os EUA tentam fechar novos acordos de normalização (Acordos de Abraão) entre Israel e outras nações árabes.
- O “Puxão de Orelha”: Diplomatas de carreira em Washington temem que Huckabee esteja usando o cargo para promover visões religiosas pessoais em vez de seguir a cartilha técnica do Departamento de Estado.
