O prolongamento da paralisação do governo federal dos EUA para sua quinta semana expôs a estratégia da Casa Branca sob o comando de Donald Trump: utilizar o impasse fiscal para impor cortes em programas sociais, especialmente o Programa de Assistência Nutricional Suplementar (Snap), conhecido como cupons de alimentos.
Apesar de a administração ter bilhões de dólares disponíveis — mais do que o necessário para sustentar os benefícios de cerca de 42 milhões de americanos de baixa renda —, o governo inicialmente alegou não ter poder para realocar os fundos. Foi somente após a intervenção de um juiz federal que Trump sinalizou que poderia usar o dinheiro para o Snap, embora a incerteza persista sobre a entrega dos benefícios.
Alívio Seletivo e Cortes na Base

A saga do Snap é vista como um reflexo da estratégia de shutdown de Trump: proteger prioridades políticas (como militares e agentes de fronteira) enquanto retém benefícios essenciais para a população de baixa renda, que o governo há muito deseja cortar.
A senadora democrata Patty Murray resumiu a crítica: “Eles estão dispostos a prejudicar pessoas na base quando cuidam de seus amigos e prioridades.”
Contrastes na Alocação de Fundos:
| Receberam Alívio Seletivo | Programas Visados para Corte (Ignorados) |
| Militares e Agentes da Lei (incluindo oficiais de fronteira). | Snap (Programa de Assistência Nutricional Suplementar). |
| Fornecimento de pagamento garantido via realocação de fundos de pesquisa, habitação e jurídicos. | Head Start (cuidados infantis e educação) – Enfrentando escassez de recursos. |
| Programa de Assistência a Energia Doméstica de Baixa Renda – Proposto para eliminação no orçamento de 2026. |
Poder Presidencial e Desmantelamento do Orçamento

As ações de Trump estão ancoradas na crença de que o presidente possui vasto poder sobre os gastos da nação, contrariando a Constituição, que atribui essa autoridade ao Congresso. O presidente e seu diretor de orçamento, Russell T. Vought, desmantelaram agências, demitiram trabalhadores e interromperam bilhões em gastos sem a permissão expressa dos legisladores.
A meta fiscal de Trump, delineada em seu orçamento de 2026, é reduzir os gastos domésticos ao seu menor nível na história moderna, visando programas de clima, educação, saúde e assistência aos pobres, enquanto injeta dinheiro na área militar e em agências de deportação em massa.
O Caso do Snap e a Ação Judicial

O golpe mais significativo estava previsto para o fim do financiamento do Snap, que atende um em cada oito americanos. Inicialmente, o Departamento de Agricultura (sob a secretária Brooke L. Rollins) planejava usar reservas de emergência, mas mudou de curso abruptamente, alegando razões legais e orçamentárias.
A iminente interrupção levou cidades, estados e organizações a entrarem com ações judiciais. Dois tribunais concluíram que a administração agiu ilegalmente, e um juiz ordenou que o governo usasse seus fundos de emergência para pagar os benefícios do Snap.
Reagindo à ordem judicial, Trump condicionou o uso dos fundos à “direção legal apropriada pelo Tribunal”, mas aproveitou para reforçar a ideia de alívio seletivo: “será uma HONRA minha fornecer o financiamento, assim como fiz com Pagamento Militar e da Aplicação da Lei”, disse em postagem.
