O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, justificou sua ausência na edição deste ano da Marcha para Jesus, realizada em São Paulo. Em diálogo mantido com o organizador do evento, bispo Estevam Hernandes, o chefe do Executivo declarou que optou por não comparecer para evitar que sua presença fosse interpretada como uma tentativa de obter dividendos eleitorais a partir de celebrações religiosas.
A interlocução ocorreu por telefone e contou com a intermediação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, que foi escalado para representar oficialmente o governo federal na manifestação religiosa.
“Não participo de nada religioso em época de eleição porque não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada”, afirmou o presidente ao detalhar os motivos de sua decisão.
O contexto eleitoral e a presença da oposição

A decisão do presidente de se abster de agendas de cunho religioso ocorre em meio às articulações para as eleições de outubro, período em que o mandatário figura como pré-candidato à reeleição para o Palácio do Planalto.
Diferente do posicionamento adotado pelo chefe do Executivo, o evento evangélico — tradicionalmente realizado na esteira do feriado de Corpus Christi — serviu como ponto de encontro para diversas lideranças políticas nacionais e regionais, incluindo nomes expressivos da oposição ao governo federal.
Políticos que compareceram ao evento:



- Tarcísio de Freitas (Republicanos): Governador do estado de São Paulo;
- Flávio Bolsonaro (PL): Senador da República;
- Jorge Messias: Advogado-Geral da União (representando a presidência da República).
A postura do Palácio do Planalto reflete uma estratégia de demarcação de limites entre a agenda institucional do Estado e as manifestações de fé, em um momento em que o diálogo com o eleitorado evangélico é considerado um dos pontos centrais do debate político nacional.
