O governo dos Estados Unidos propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma ampla gama de produtos importados do Brasil. A recomendação partiu do Representante Comercial dos EUA (USTR), que classificou certas políticas e ações brasileiras como “irracionais” e prejudiciais ao comércio norte-americano. O anúncio é o resultado de uma investigação iniciada em julho de 2025.
Divergências Comerciais entre Brasil e Estados Unidos

O representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, informou que, apesar de ter mantido reuniões consideradas construtivas com representantes do governo brasileiro, ainda persistem divergências profundas sobre os pontos centrais da investigação.
Uma audiência pública sobre o tema está agendada para o próximo dia 6, e a decisão final da administração americana deverá ser anunciada no dia 15. Até que o prazo se esgote, as negociações bilaterais devem continuar.
Quais Produtos Podem ser Afetados e Quais Estão Isentos?

A proposta de sobretaxa prevê exceções significativas. Uma lista de 73 páginas detalha os itens que ficarão livres da cobrança adicional de 25%. Entre os produtos brasileiros poupados da nova taxação estão setores estratégicos que já haviam recebido isenção em medidas anteriores, tais como:
- Aeronaves
- Suco de laranja
- Café
Os Motivos por Trás da Investigação dos EUA

A análise conduzida pelos Estados Unidos foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O escopo da investigação do USTR abrangeu diversas frentes da economia e da legislação brasileira, avaliando pontos como:
- Regulamentações de comércio digital e serviços de pagamento eletrônico;
- Aplicação de tarifas consideradas injustas ou preferenciais;
- Eficácia de medidas anticorrupção e proteção aos direitos de propriedade intelectual;
- Barreiras ao mercado de etanol e o combate ao desmatamento ilegal.
No segmento voltado à tecnologia e segurança digital, o relatório do USTR apontou preocupações com decisões do Judiciário brasileiro. O documento cita ordens de remoção de conteúdos políticos e a suspensão de perfis em redes sociais pertencentes a residentes nos EUA, além do bloqueio integral de plataformas digitais americanas sob ameaça de sanções financeiras.
