A novela sobre a retomada das obras da ferrovia Transnordestina em Pernambuco ganhou um capítulo decisivo. O Tribunal de Contas da União (TCU) marcou para o dia 15 de julho a votação que definirá o futuro do ramal que liga Salgueiro ao Porto de Suape.
A data foi anunciada nesta terça-feira (7) por Cassiano Pereira, presidente da Associação Nordeste Forte, durante a apresentação de um novo estudo técnico sobre a ferrovia promovido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). O trecho pernambucano havia sido excluído do contrato federal na gestão de Jair Bolsonaro, mas foi reincorporado ao planejamento sob a articulação da governadora Raquel Lyra.
Entenda o impasse: Por que o TCU travou as obras?

Desde maio deste ano, o ramal de Pernambuco enfrenta barreiras jurídicas no tribunal de contas. O TCU emitiu uma determinação para que o Ministério dos Transportes e a estatal Infra S.A. suspendessem qualquer novo repasse ou compromisso financeiro para a ferrovia no estado.
Os ministros do tribunal apontaram as seguintes falhas no projeto:
- Ausência de estudos técnicos atualizados;
- Falta de viabilidade econômica e financeira comprovada;
- Inexistência de relatórios de impacto ambiental consolidados para o novo formato.
Estudo da Sudene aponta bilionário “valor social” e milhares de empregos

Como resposta aos entraves do TCU, a Sudene apresentou um documento robusto baseado em dados levantados pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe). O objetivo é provar a viabilidade econômica do trecho Salgueiro-Suape antes do julgamento do dia 15.
De acordo com o superintendente da Sudene, Francisco Ferreira Alexandre, o projeto carrega um valor social estimado em R$ 4,7 bilhões (indicador que mede o retorno em geração de emprego, renda e desenvolvimento regional).
O levantamento técnico destaca projeções de alto impacto:
- Movimentação de cargas: Expectativa de transportar entre 18 e 24 milhões de toneladas por ano, com foco na exportação de grãos e minérios;
- Crescimento econômico: Impacto injetado de R$ 8,23 bilhões no Valor Adicionado Bruto (VAB) da região;
- Geração de empregos: Previsão de criar 9,6 mil empregos permanentes divididos entre a operação da ferrovia, portos, terminais de carga e comércio local.
