A governadora Raquel Lyra, a primeira mulher eleita para o Palácio do Campo das Princesas, percorre o interior do estado apostando no fortalecimento do municipalismo como pilar central de sua gestão e estratégia política para 2026. Desde que migrou do PSDB para o PSD, em março deste ano, a chefe do Executivo estadual vem ampliando sua rede de apoio entre gestores municipais — incluindo 25 das 30 prefeitas eleitas em 2024 e 115 dos 154 prefeitos masculinos, totalizando mais de 140 alianças formais no total.
A movimentação partidária não se limitou ao apoio tácito: tratou-se de uma real filiação. Em março, Raquel conduziu a migração de 32 prefeitos do PSDB diretamente para o PSD, incluindo vice-governadora Priscila Krause. Nos meses seguintes, prefeitos como os de Flores, Capoeiras e Paranatama trocaram o PSB e o MDB pelo partido governista, impulsionando a legenda a 60 gestores municipais em abril, cifra que já passa de 67 e deve se aproximar de 70 com novas adesões até julho. A mudança reflete o enfraquecimento do PSB – partido presidido na capital pelo provável adversário, João Campos – especialmente após perdas em municípios estratégicos como Frei Miguelinho e Flores.
A construção dessa base não se sustenta apenas no apoio partidário. Raquel vem executando políticas voltadas ao interior, com forte viés municipalista. Em dezembro de 2024, anunciou a construção de 52 creches em 43 municípios, 15 mil vagas para educação infantil, um núcleo de apoio aos prefeitos e aumento de repasses de ICMS com critérios mais justos.
Em maio de 2025, reforçou essas ações em Brasília durante a Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. Lá, destacou o papel do estado como “casa” dos gestores municipais, por meio de um escritório de representação permanente para atender suas demandas.
Embora Raquel tenha construído uma base robusta, parte da oposição segue articulada. Entre as 30 prefeitas de oposição, cinco não aderiram à sua base: três do PSB, uma do PL e outra do Republicanos. No entanto, trata-se mais de fatores regionais ou pessoais que de resistência ideológica, e há indícios de diálogo com a governadora.
Outro fator que reforça sua estratégia é a janela partidária de abril de 2026, quando deputados estaduais e federais aliados devem migrar para o PSD, ampliando sua influência no Legislativo.
A estratégia de Raquel Lyra parece clara: apostar no municipalismo, entregar resultados concretos e transformar isso em estrutura política sólida para a próxima eleição. Com uma base de mais de 140 prefeitos, filiações em massa ao PSD, investimentos em creches, saúde, segurança e ampliação de transferências de ICMS, ela constrói uma narrativa de gestão eficaz e enraizada no interior. Ao mesmo tempo, mantém diálogo, mesmo que limitado, com opositores, apostando em ruídos regionais ao invés de confrontos ideológicos.
Se conseguirá converter essa expansão municipalista em votos nas urnas de 2026, ainda é incerto. Mas fato é que Raquel Lyra vem fortalecendo sua governabilidade e ganhando musculatura política – e tudo isso foi feito antes de entrar oficialmente na disputa presidencial. O interior de Pernambuco, ao que tudo indica, será sua maior aliada na jornada que se inicia.
