Em meio ao alvoroço das festas de São João, uma declaração do vereador Rafael Prequé trouxe à tona uma polêmica que vai muito além de questões pessoais ou políticas: trata-se do descaso com a memória histórica da cidade de Gravatá. Nas redes sociais, o parlamentar denunciou que a Prefeitura de Gravatá negou um túmulo para o sepultamento de seu pai, Luiz Prequé, ex-prefeito do município e figura de relevância inquestionável para a história política e social da cidade.
Mais do que um desabafo emocional em um momento de luto, o episódio expõe uma ferida antiga e maltratada: a falta de políticas públicas voltadas à preservação e valorização da memória de pessoas que ajudaram a construir Gravatá, seja na política, na cultura, na educação ou em outras áreas fundamentais. Luiz Prequé foi prefeito de Gravatá, deixou um legado de obras, ações e, principalmente, de vínculos afetivos com a população. Independentemente de posicionamentos partidários ou disputas eleitorais, sua trajetória representa parte da identidade local.
Em conversa com o vereador, ele alegou que jamais queria que esse assunto viesse a público, porém, diante do desrespeito no qual foi tratado, precisou desabafar;
Eu e minha família jamais gostaríamos de ter tocado nesse assunto. É algo profundamente doloroso, que carrego como uma das maiores humilhações da minha vida. Mas, diante da abordagem desrespeitosa do servidor Irnaldo, fui forçado a esclarecer os fatos. Ele tentou insinuar que eu buscava algum benefício pessoal, quando na verdade eu apenas pedia um túmulo para enterrar meu pai — Luiz Prequé — homem público que tanto fez por Gravatá. Na época que pedi o túmulo, o próprio Irnaldo, me disse que a Primeira Dama Viviane e o Prefeito Joselito afirmaram que não podiam fazer nada para ajudar a conseguir o espaço. Isso, para mim e para minha família, foi um golpe cruel. Um desrespeito com a memória de um homem que dedicou a vida ao povo desta cidade” desabafou Rafael.
Ao negar um túmulo para seu sepultamento, a gestão municipal não fere apenas a família do ex-prefeito, mas dá um recado duro e silencioso à sociedade: a história não importa. A preservação da memória não é vaidade. É compromisso com a identidade coletiva, com o entendimento de onde viemos, de quem nos antecedeu, e com os caminhos que ainda pretendemos trilhar.
Governos que ignoram sua própria história correm o risco de repetir erros, desvalorizar trajetórias e tornar-se insensíveis ao que realmente importa: a dignidade do povo e de sua cultura. O caso do ex-prefeito Luiz Prequé pode ter ganhado os holofotes pela indignação pública do vereador Rafael Prequé, mas o debate precisa ir além da denúncia. É urgente que o município de Gravatá pense — com responsabilidade e sensibilidade — em políticas públicas de valorização da memória e da história local.
Isso inclui desde a criação de leis de tombamento simbólico de figuras históricas até a reserva de espaços em cemitérios públicos para ex-gestores, artistas, líderes comunitários, entre outros que marcaram a cidade.
Cuidar da memória é cuidar da cidade. É reconhecer que Gravatá não começou ontem, e que seu futuro será melhor se soubermos honrar os que deram sua vida por ela.
