Em sua última intervenção antes do veredicto do Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu sua absolvição no julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado. O advogado Paulo Cunha Bueno declarou que a absolvição é “absolutamente imperiosa” e chegou a comparar o caso ao “caso Dreyfus”, um escândalo de parcialidade judicial do século XX. O veredicto do STF, que decidirá se Bolsonaro arquitetou um plano para se manter no poder, é esperado para a próxima semana.
Acusações da PGR e Argumentos da Defesa

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusa Bolsonaro, que está em prisão domiciliar desde o início de agosto, de ter articulado um plano golpista que incluía a decretação de estado de sítio e um plano de assassinato de seus oponentes, além de ser o suposto instigador dos atos de 8 de janeiro de 2023. No entanto, o advogado Celso Vilardi afirmou que não há uma única prova que ligue o ex-presidente ao plano de assassinato de autoridades ou aos eventos de 8 de janeiro. Bolsonaro, de 70 anos, se declara inocente e alega ser vítima de perseguição política.
Crise Diplomática e o Debate sobre Anistia

O julgamento acontece em meio a tensões políticas e internacionais. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, garantiu que o tribunal ignorará “pressões internas ou externas” ao proferir o veredicto. O contexto internacional inclui uma crise diplomática com os Estados Unidos, com o presidente americano, Donald Trump, impondo tarifas punitivas ao Brasil e acusando a Justiça brasileira de “caça às bruxas”.
Paralelamente, as negociações por uma anistia para Bolsonaro e seus apoiadores do 8 de janeiro ganham força no Congresso Nacional. A pauta, impulsionada por líderes da base de apoio de Bolsonaro, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ganhou tração após dois partidos centristas, União Brasil e Progressistas, que apoiam a anistia, anunciarem sua saída do governo de Lula. Caso seja condenado, Bolsonaro pode pegar até 43 anos de prisão, mas, segundo especialistas, não será preso enquanto existirem recursos.
