A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) concentrou seus argumentos no segundo dia do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) em descredibilizar o tenente-coronel Mauro Cid, principal delator do caso. Em sua sustentação oral, o advogado Celso Vilardi afirmou que Cid “não é um homem confiável” e que foi “pego na mentira pela enésima vez”.
O defensor citou supostas conversas de Cid em uma conta no Instagram, alegando que a prova de que ele utilizou o perfil é “absolutamente indiscutível”. Vilardi argumentou que, embora a acusação da Polícia Federal (PF) afirme ter provas independentes da delação, a credibilidade do colaborador é crucial. “Agora que ele está desmoralizado, porque foi pego na mentira, ele rompeu a delação formalmente”, completou o advogado.
Réus e Acusações

Além do ex-presidente, o chamado “núcleo crucial” do plano de golpe inclui outros sete réus: o ex-presidente da Abin, Alexandre Ramagem; o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier; o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres; o ex-ministro do GSI, Augusto Heleno; o ex-ajudante de ordens Mauro Cid; o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; e o ex-ministro Walter Souza Braga Netto.
Eles respondem na Suprema Corte pelos crimes de:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Golpe de Estado;
- Dano qualificado pela violência e ameaça grave;
- Deterioração de patrimônio tombado.
O deputado federal Alexandre Ramagem é a exceção, já que a Câmara dos Deputados suspendeu a ação penal contra ele, que responde apenas aos três primeiros crimes listados.
Cronograma do Julgamento

O julgamento do núcleo crucial do plano de golpe está agendado em cinco datas, reservadas pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma. As sessões acontecem nos seguintes dias de setembro:
- 2 de setembro, terça-feira
- 3 de setembro, quarta-feira
- 9 de setembro, terça-feira
- 10 de setembro, quarta-feira
- 12 de setembro, sexta-feira
