O julgamento da suposta trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF) começou com um claro embate entre o ministro Luiz Fux e o relator Alexandre de Moraes. Nesta terça-feira, 9 de setembro, Fux indicou que irá divergir de Moraes em pontos processuais e na avaliação da participação dos oito acusados nos crimes investigados.
Divergências e Expectativas

A troca de farpas entre os ministros começou logo no início da sessão. Moraes rebateu as críticas de Fux sobre as delações de Mauro Cid, afirmando que foram oito depoimentos distintos sobre fatos diferentes, e não contradições. Por sua vez, Fux disse que abordará as questões processuais em seu voto, lembrando que sua posição já havia sido vencida quando a denúncia foi aceita.
A divergência entre os dois ministros já era esperada. Fux tem adotado uma postura independente em relação a Moraes no decorrer do processo. Essa posição se tornou evidente quando, no julgamento que impôs medidas cautelares a Jair Bolsonaro, ele foi o único a votar contra o uso da tornozeleira eletrônica, alegando que a restrição de direitos era desproporcional.
Para aliados de Bolsonaro, a postura de Fux é a principal esperança de evitar uma condenação unânime no STF. Essa posição independente também é vista como um dos motivos para que o ministro não tenha tido seu visto revogado pelo governo Trump, ao contrário de outros integrantes do Supremo.
