Conhecido por sua salinidade extrema, que lhe rendeu o nome, o Mar Morto sempre foi considerado um local inóspito para a vida. No entanto, descobertas recentes de microorganismos e, surpreendentemente, peixes em suas águas têm intrigado cientistas e suscitado comparações com antigas profecias bíblicas. Esse despertar levanta questões não apenas sobre os mistérios geológicos do local, mas também sobre o impacto das ações humanas na natureza e o futuro desse lendário corpo d’água.
Um Lago Salgado no Coração do Vale do Rift



Situado 427 metros abaixo do nível do mar – a elevação mais baixa do planeta em terra firme – o Mar Morto faz fronteira com a Jordânia, Cisjordânia e Israel. Existente há três milhões de anos, ele foi outrora parte de um lago muito maior. Sua salinidade impressionante, de 34%, é cerca de 9,6 vezes maior que a dos oceanos, o que impede a vida de peixes e plantas aquáticas na maior parte de suas águas.
Contudo, o Mar Morto está encolhendo rapidamente, perdendo cerca de 1 metro por ano devido ao desvio de água do Rio Jordão por Israel, Jordânia e Síria. Essa redução expôs inúmeros sumidouros salinos ao longo da costa.
A Surpreendente Descoberta de Vida e as Profecias

Pesquisadores da Universidade Ben-Gurion do Neguev (Israel), em colaboração com o Instituto Max Planck de Microbiologia Marinha (Alemanha), descobriram fontes profundas de água doce no fundo do Mar Morto. Ao redor dessas fissuras, foram encontrados novos tipos de microorganismos. A maior surpresa, no entanto, veio com o registro de peixes e outras formas de vida marinha em sumidouros na costa, revelado pelo fotojornalista israelense Noam Bedein, do Dead Sea Revival Project.
Essa visualização de peixes traz à tona as profecias do sacerdote e profeta Ezequiel no Antigo Testamento, que previu o florescimento do Mar Morto nos “Fins dos Dias”. Ezequiel 47:8-9 fala de uma “multidão muito grande de peixes”, e Ezequiel 47:8-11 sugere que “o Mar Morto voltará a viver” quando “a água fluirá do Monte do Templo de Jerusalém e os pescadores se alinharão às margens do Mar Morto.”
Ameaças e o Futuro do Mar Morto

Apesar das descobertas de vida, a principal ameaça ao Mar Morto é a evaporação. Situado em um deserto com chuvas escassas e irregulares, o mar teve sua área de superfície reduzida de 1.050 km² no início do século XX para 605 km² atualmente. O Rio Jordão, principal afluente, também teve seu fluxo diminuído drasticamente.
Enquanto a espécie de peixe registrada por Bedein ainda não foi oficialmente identificada, a carpa dentada do Mar Morto (listada como ameaçada de extinção) é a espécie mais próxima conhecida do antigo lago salgado. O “despertar” do Mar Morto, com suas novas formas de vida, não apenas reescreve o que sabíamos sobre ecossistemas extremos, mas também nos faz refletir sobre a complexa interação entre a natureza, a intervenção humana e as antigas narrativas sobre o destino do planeta.
