A reclusa conhecida no cenário criminal como “a maior estelionatária do Brasil”, Dominique Cristina Scharf, de 65 anos, alcançou a liberdade após cumprir três décadas de pena. A idosa, que recebeu o apelido de “Dama do Cárcere” no sistema prisional, deixou a Penitenciária Feminina I de Tremembé, em São Paulo, e agora cumpre regime aberto.
Progressão ao Regime Aberto

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) confirmou que Dominique progrediu ao regime aberto em junho de 2025, conforme decisão da Justiça. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) estabeleceu condições rigorosas para a progressão, incluindo:
- Recolhimento noturno obrigatório.
- Comparecimento periódico ao juízo.
- Proibição de se ausentar da comarca sem permissão.
- Obrigação de exercer atividade de trabalho ou estudo.
Dominique possuía uma pena somada de 57 anos, 11 meses e 10 dias, e figura em 44 processos judiciais, incluindo recursos, no TJSP e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Trajetória de Golpes e Fugas Espetaculares

Nascida em 1960 e filha de pai americano e mãe alemã, Dominique Scharf cresceu na elite paulistana. Sua vida no crime começou com pequenos furtos, mas rapidamente evoluiu para golpes sofisticados a partir dos 21 anos, no início dos anos 1980.
Seu modus operandi envolvia:
- Fraudes Financeiras: Falsificação de cheques e abertura de crediários com documentos adulterados.
- Venda de Joias Falsas: Comercializava bijuterias como se fossem joias autênticas.
- Golpes do Amor e Extorsão: Seduzia homens casados e abastados, marcava encontros em hotéis, fotografava-os em situações comprometedoras e usava as imagens para chantagem.
Apesar de ser conhecida por crimes de astúcia e fraude, seu histórico incluiu acusações mais graves. Em 2003, ela foi acusada de assalto à mão armada contra um vendedor de joias, sendo posteriormente condenada a 12 anos de prisão por tentativa de homicídio em júri popular. Na prisão, ela conviveu com detentas de alta notoriedade, como Suzane Richthofen e Elize Matsunaga.
A Luta Pela Progressão

A trajetória carcerária de Dominique foi marcada por fugas ousadas. Em 2006, ela fugiu e foi recapturada. Em 2007, protagonizou uma fuga notória em Ribeirão Preto, escalando uma muralha de 6 metros com a ajuda de um pé de maracujá, resultando em uma perna quebrada na queda.
Sua luta jurídica pela progressão de regime foi longa. O TJSP chegou a negar habeas corpus, citando a “reiterada prática de crimes graves e o registro de infrações disciplinares graves no cumprimento da pena”. Durante a pandemia de 2020, seu pedido de prisão domiciliar, baseado na idade (60 anos), foi indeferido.
O advogado Marcio Pereira de Faria Vieira, que a defendeu, classificou o caso como “emblemático” por ela ter cumprido tantos anos de pena sem progressão, algo incomum para o seu perfil. Durante o encarceramento, Dominique desenvolveu habilidades em costura e tricô. A defesa da ex-detenta não foi localizada pela reportagem.
