Jurista Ricardo Lodi: “Trump Jogou ao Mar” Clã Bolsonaro Após Aproximação com Lula

Redação Pernambuco Informa

O cenário político da direita brasileira e a situação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foram postos sob forte análise pelo professor e jurista Ricardo Lodi em entrevista concedida nesta quinta-feira (25). A declaração de Lodi ocorre após o gesto de Donald Trump em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), um movimento que, segundo o especialista, afeta drasticamente a influência da família Bolsonaro nos Estados Unidos.

Isolamento de Eduardo Bolsonaro e Mudança de Rota de Trump

Ricardo Lodi foi enfático ao analisar a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior, afirmando que suas ações tiveram um “efeito contrário” aos objetivos do clã político, prejudicando a situação do pai, Jair Bolsonaro.

A principal evidência desse desgaste é o recente aceno de Donald Trump. O ex-presidente dos EUA surpreendeu ao revelar ter abraçado Lula na ONU e combinado um encontro, afirmando ter criado afinidade: “Ele parece um cara muito bom. Ele gostou de mim, eu gostei dele”.

Lodi interpreta essa mudança como um reposicionamento estratégico dos conselheiros de Trump, que teriam reconhecido que a política de tarifaço (apoiada por Eduardo Bolsonaro) não surtiu o efeito desejado no Brasil, mas gerou impactos negativos nos EUA e impulsionou o Brasil no cenário global, inclusive fortalecendo acordos com a China.

“Tudo que o Eduardo Bolsonaro fez gerou efeitos contrários… E parece que agora, é, o Trump jogou ao mar essa turma,” destacou o jurista.

O professor avalia que a influência que Eduardo Bolsonaro exercia sobre o governo norte-americano “tende a secar”, colocando o deputado em uma “situação dramática”. Lodi acrescenta que o deputado piorou sua posição junto à opinião pública brasileira, sendo “considerado um traidor da pátria” por sua atuação.

A Estratégia do Centrão e a Fisiologia Política

Ricardo Lodi também abordou a composição do Centrão no Congresso Nacional e sua relação com a extrema-direita.

O jurista refutou a ideia de que o grupo represente o centro ideológico do país, classificando sua atuação como guiada por “interesses fisiológicos”. Ele argumenta que o verdadeiro centro ideológico, comprometido com a democracia e soberania nacional, já está articulado com o atual governo, citando figuras como Geraldo Alckmin e Simone Tebet.

Sobre as tentativas de articulação de uma anistia para os condenados pelo 8 de Janeiro, liderada por figuras como Michel Temer e Aécio Neves, Lodi é cético. Ele acredita que o objetivo real da cúpula bolsonarista é garantir a impunidade para si e seus “generais”, preparando o terreno para uma futura tentativa de golpe por meio de projetos como o “PL da Dosimetria”.

Lodi responsabiliza o próprio Centrão por ter criado o espaço para o avanço da extrema-direita no Brasil, citando o não reconhecimento da vitória de Dilma em 2014 por Aécio Neves como um ponto de abertura para o golpe subsequente.

O jurista finaliza a análise projetando o cenário de 2026:

“Não existe um candidato a presidente da República, exceto Lula, que tenha compromisso com a democracia e com a soberania nacional,” declarou Lodi, que também questionou a viabilidade da candidatura do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, pelo Centrão.

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