A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na segunda-feira (20), o uso do medicamento Mounjaro (tirzepatida) para o tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS) moderada a grave em pessoas com obesidade.
O Mounjaro, já aprovado para diabetes tipo 2 e obesidade, é a primeira opção farmacológica aprovada pela agência para a AOS, uma doença crônica que afeta cerca de 50 milhões de brasileiros.
Entendendo a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS)

A AOS é uma condição grave caracterizada pela interrupção do fluxo respiratório durante o sono.
- Causa: Ocorre devido ao estreitamento da faringe, frequentemente causado pelo acúmulo de gordura na musculatura e na região cervical do pescoço, além da gordura visceral e abdominal, que prejudica a respiração durante o sono. A obesidade é um dos principais fatores de risco.
- Impacto no Organismo: Durante a apneia, a oxigenação do organismo cai significativamente, acionando “alarmes” no corpo (como aumento do batimento cardíaco e pressão arterial) para forçar a respiração.
- Risco à Saúde: Essa resposta eleva o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças.
- Qualidade do Sono: A fragmentação do sono afeta todas as funções reparadoras, incluindo memória, concentração e controle hormonal, segundo Edilson Zancanella, coordenador da Academia Brasileira do Sono (ABS).
Eficácia Comprovada pelo Estudo SURMOUNT-OSA

A aprovação do Mounjaro baseou-se nos resultados do estudo clínico de fase 3 SURMOUNT-OSA, que avaliou a tirzepatida em pacientes com e sem o uso de CPAP (terapia com pressão positiva nas vias aéreas).
| Grupo de Tratamento | Redução Média de Eventos Respiratórios/Hora (Após 1 Ano) | Perda Média de Peso Corporal |
| Mounjaro + CPAP | 29,3 eventos a menos (vs. 5,5 com placebo) | 22,7 kg (20% do peso corporal) |
| Mounjaro Isolado | 25,3 eventos a menos (vs. 5,3 com placebo) | 20,4 kg (18% do peso corporal) |
- Remissão: Após um ano de uso, 42% dos pacientes tratados apenas com Mounjaro e 50% dos que usaram Mounjaro junto ao CPAP apresentaram remissão ou casos leves da doença, contrastando com 16% e 14% nos grupos placebo.
A pneumologista e especialista em medicina do sono, Erika Treptow, celebrou a aprovação, destacando que o medicamento representa um avanço em um campo onde o tratamento historicamente se concentrou no suporte mecânico (CPAP e cirurgias).
