Proposta de Trump de Importar Carne Argentina Causa Queda Imediata nos Mercados de Gado dos EUA

Redação Pernambuco Informa

O anúncio de uma possível abertura de importações de carne bovina da Argentina, sugerida pelo ex-presidente Donald Trump como medida para reduzir os preços ao consumidor, já está provocando efeitos adversos e incerteza nos mercados de gado dos Estados Unidos.

John Newton, vice-presidente da American Farm Bureau Federation (AFBF), alertou que o mero burburinho da proposta resultou em quedas.

“Vimos movimentos de queda no mercado futuro por três semanas consecutivas, o que impediu os pecuaristas de gerenciar riscos por meio do uso de contratos LRP (seguro de proteção contra queda de preços do gado),” afirmou Newton.

O Gado como Suporte da Economia Agrícola

O alerta da AFBF foca no papel vital do setor de gado para a economia rural americana, que tem enfrentado dificuldades em outras áreas.

  • Prejuízo à Renda: Newton destacou que o gado é atualmente um dos “mais saudáveis da economia agrícola”. A ideia de importar carne para reduzir os preços do gado doméstico é “prejudicial à renda do pecuarista”.
  • Sustentando a Ruralidade: O executivo enfatizou que, excluindo o apoio federal, a renda agrícola líquida caiu drasticamente. “Portanto, é o lado do gado no balanço que sustenta a economia agrícola.”
  • Golpe Duplo: Tentar derrubar os preços da carne neste momento, quando os produtores rurais estão pensando em recompor o rebanho, seria um “golpe duplo que a economia agrícola simplesmente não consegue suportar”.

Reação Unânime do Setor

A proposta gerou preocupação imediata entre as principais associações de pecuaristas:

  • AFBF (Zippy Duvall): O presidente da AFBF manifestou preocupação com a queda de preços e alertou que a importação em larga escala pode arriscar a autossuficiência alimentar dos EUA e desestimular a recomposição do rebanho doméstico.
  • NCBA (National Cattlemen’s Beef Association): O CEO Colin Woodall criticou a iniciativa, alertando que ela prejudicaria os produtores domésticos e poderia distorcer o mercado. Ele citou ainda riscos sanitários relacionados à Argentina e duvidou que a medida traria reduções significativas nos preços ao consumidor.

A AFBF insiste que o governo americano deve considerar os impactos sobre os produtores domésticos antes de qualquer iniciativa de importação, especialmente porque a economia agrícola ainda se recupera de perdas significativas de receita.

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