A investigação do colapso do Banco Master, que resultou na prisão do CEO Daniel Vorcaro, revelou um intenso e inédito nível de pressão política e lobby sobre técnicos e diretores do Banco Central (BC) e membros do Congresso Nacional. O objetivo da pressão era adiar ou impedir a intervenção na instituição financeira, mesmo em meio a irregularidades graves.
Pressão no Banco Central e Liquidação Tardia

Técnicos do BC relataram ao Ministério Público e à Polícia Federal que o lobby em favor do Master foi o mais intenso que já presenciaram.
- Racha Interno: As irregularidades detectadas na proposta de compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília) causaram um profundo racha na diretoria do BC. Diretores como Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro) e Gilneu Vivan (Regulação) elaboraram uma minuta de intervenção, mas enfrentaram forte resistência de Aílton Aquino (Fiscalização).
- Decisão Pós-Operação: O decreto de liquidação extrajudicial do Master estava pronto antes da Operação Compliance Zero, mas só foi oficializado após a operação policial. Investigadores afirmam que essa tática buscou blindar o BC contra as pressões políticas externas.
- FGC: A liquidação resultará no maior resgate já realizado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
🚨 O Lobby no Congresso Nacional e a “Bancada do Master”

O esforço para proteger o banco também se concentrou no Congresso, com a atuação de senadores:
- CPI Abortada: Após o anúncio da compra pelo BRB, o senador Izalci Lucas (PL-DF) articulou uma CPI Mista. Apesar de reunir as assinaturas necessárias, ele recuou abruptamente, justificando ter recebido relatórios que o “tranquilizavam”.
- Articulação Política: O senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado de Daniel Vorcaro, é apontado como o principal articulador contra a CPI, sendo visto como líder da chamada “bancada do Master” que alinhava interesses de parlamentares com a instituição.
- “Emenda Master”: Em 2024, Ciro Nogueira apoiou, no Senado, uma proposta para elevar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão na PEC da autonomia financeira do BC. A sugestão, apelidada de “emenda Master” por beneficiar títulos como CDBs do banco, foi rejeitada.
Tentativas Frustradas na Caixa e Ação Judicial

A pressão também atingiu a Caixa Econômica Federal, onde dois gerentes foram afastados após se oporem à compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Master, classificadas como “arriscadas” pela área técnica. A aquisição foi abortada diante da repercussão.
Enquanto isso, a defesa de Daniel Vorcaro, que teve seu primeiro pedido de habeas corpus negado pelo TRF-1, prepara um novo recurso no STJ (Superior Tribunal de Justiça). A desembargadora Solange Salgado da Silva negou a liberdade, citando o risco concreto de o executivo obstruir a fiscalização, diante das evidências de fraude sistêmica.
