O governo de Donald Trump publicou, nesta sexta-feira (5), sua nova Estratégia de Segurança Nacional, um documento que altera drasticamente as prioridades de política externa dos Estados Unidos, reforçando o foco no nacionalismo e na contenção de rivais.
🌍 América Latina: O “Corolário Trump”

O documento marca o retorno explícito à política de hegemonia regional dos EUA, por meio do que chama de “Corolário Trump” da Doutrina Monroe de 1823.
- Princípio: A Doutrina Monroe determina que a América Latina e o Hemisfério Ocidental fiquem fora do alcance de potências estrangeiras, sejam elas europeias ou asiáticas.
- Ameaça Externa: Em clara alusão à China, a estratégia declara que os EUA “negarão a competidores de fora do hemisfério a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais” na região.
Europa: Críticas Severas e Apoio à Extrema Direita

A nova estratégia dedica uma linguagem severa à Europa, adotando uma visão promovida por grupos de extrema direita sobre o futuro do continente:
- “Desaparecimento da Civilização”: O texto apoia a ideia de que a Europa enfrenta um desaparecimento de sua “civilização” e insta a “cultivar a resistência” contra sua “trajetória atual”.
- Problemas Centrais: Os EUA veem como principais problemas as ações de organismos transnacionais (como a UE) que “minam a soberania”, as políticas migratórias que transformam o continente e a “censura à liberdade de expressão”.
- Otan: A estratégia questiona o futuro da Otan, levantando a hipótese de que, se alguns membros se tornarem “majoritariamente não europeus” em poucas décadas, eles poderão não manter a mesma aliança com os EUA. O documento pede que os EUA se concentrem em “acabar com a percepção, e prevenir a realidade, da Otan como uma aliança em expansão perpétua”.
🌏 Ásia: Foco na Economia e Taiwan


A estratégia aborda a China primariamente como um competidor econômico e busca reforçar a independência americana:
- China: A meta é “reequilibrar a relação econômica” com a China, priorizando a reciprocidade e a equidade para restaurar a “independência econômica americana”.
- Taiwan: O documento reitera a necessidade de manter o status quo e insta os aliados Japão e Coreia do Sul a contribuírem mais para garantir a defesa da ilha.
- Índia: Há entusiasmo pelo reforço dos laços com a Índia, incentivando Nova Délhi a “contribuir para a segurança do Indo-Pacífico”.
🌍 Oriente Médio e África: Investimento em Vez de Ajuda

A estratégia pede menos ênfase no Oriente Médio, tradicionalmente o foco da política externa americana:
- Oriente Médio: Os EUA dependerão menos do petróleo do Golfo Pérsico devido à autonomia energética. A estratégia se limita a dizer que é importante que Israel esteja “seguro” e aponta o enfraquecimento do Irã devido a ataques de EUA e Israel.
- África: Pede uma transição de um paradigma de ajuda estrangeira para um de investimento, a fim de aproveitar os recursos naturais e o “potencial econômico latente” do continente.
