Desde que assumiu a presidência, Donald Trump tem buscado negociar um acordo de paz para a guerra na Ucrânia. Sua iniciativa mais recente, um plano de 28 pontos considerado por alguns como excessivamente pró-Rússia, foi rapidamente marginalizada após reações negativas da Europa e de Kiev.
Apesar dos esforços recentes em Genebra e Miami para revisar a proposta (que resultou em um plano de 19 pontos apoiado pela “Coalizão dos Dispostos”), analistas concordam que é improvável que a Rússia aceite qualquer proposta de paz liderada pelos Estados Unidos.
Posição Irredutível da Rússia

A principal razão para o impasse reside nas posições entrincheiradas da Rússia e nos seus contínuos avanços no campo de batalha:
- Exigência de Putin: Em 27 de novembro, o líder russo Vladimir Putin sinalizou que não vê motivo para um acordo, afirmando que os combates só terminariam quando as tropas ucranianas se retirassem dos territórios que ocupam — uma referência às regiões anexadas por Moscou em 2022.
- Objetivos Incompatíveis: Os objetivos de paz de Moscou incluem impedir a entrada da Ucrânia na OTAN, limitar o tamanho das forças armadas ucranianas e, crucialmente, obter o reconhecimento internacional do território ucraniano ocupado. A Ucrânia, por sua vez, rejeita qualquer reconhecimento de território anexado ou restrição aos seus aliados.
⚔️ Avanços e Ausência de Pressão

A especialista em política internacional Jenny Mathers afirmou que, para que um dos lados conclua que tem pouco a ganhar com a continuação da guerra, “algo significativo precisa mudar no terreno”. Contudo, o cenário atual não aponta para um revés russo:
- Incentivo para Lutar: O analista Mykola Bielieskov observou que, enquanto as forças russas puderem continuar avançando, Putin não terá incentivo para negociar.
- Progressos no Campo de Batalha: Relatórios indicam que as forças russas capturaram aproximadamente 267 quilômetros quadrados de território em outubro e uma área semelhante em setembro. O Instituto para o Estudo da Guerra estima que, mantendo o ritmo, a Rússia poderia conquistar toda a região de Donetsk até agosto de 2027.
- Economia Resistente: Apesar de problemas, o pesquisador Anton Barbashin avalia que a economia russa “ainda não é um colapso” e que Moscou pode sustentar o mesmo nível de guerra por mais um ano sem pressão externa.
Em suma, sem uma grande derrota militar ou uma crise econômica interna, é improvável que Putin enfrente a pressão necessária para se sentar à mesa de negociações e abandonar seus objetivos maximalistas.
