Instituições afirmam que reuniões com o ministro do STF trataram de sanções impostas pelos EUA sob a gestão Trump; caso Master não é mencionado em notas oficiais.
O Banco Central (BC) e a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) se manifestaram oficialmente nesta terça-feira (23) para esclarecer o teor das recentes reuniões entre o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, e o ministro do STF, Alexandre de Moraes. Segundo as notas, o tema central dos encontros não foi o liquidado Banco Master, mas sim os desdobramentos da Lei Magnitsky.
Entenda a Lei Magnitsky e o impacto bancário

A Lei Magnitsky é um dispositivo do governo dos Estados Unidos que permite ao Departamento do Tesouro aplicar sanções financeiras contra estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. Em julho de 2025, o presidente Donald Trump utilizou a lei contra Alexandre de Moraes, um movimento inédito contra um membro do Poder Judiciário.
A Febraban explicou que a aplicação dessas sanções gerou “obrigações inéditas” para o setor bancário brasileiro, uma vez que instituições que mantêm relacionamento com pessoas sancionadas pelos EUA enfrentam riscos de isolamento do sistema financeiro internacional.
“A aplicação [da lei] trouxe impactos diretos no setor bancário e obrigações inéditas para instituições financeiras”, afirmou a Febraban em nota oficial.
O conflito de versões: Banco Master em silêncio

A manifestação do BC ocorre em resposta a informações publicadas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, sugerindo que Moraes teria intercedido junto a Galípolo em favor do Banco Master. A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central em 18 de novembro, em meio a investigações de fraudes bilionárias no mercado de crédito.
Pontos principais do cenário atual:
- Versão Oficial: Moraes e o BC afirmam que as conversas foram estritamente técnicas sobre o bloqueio de ativos internacionais.
- Omissão do Master: A nota oficial do Banco Central não faz qualquer menção ao Banco Master ou ao inquérito de fraudes.
- Silêncio de Galípolo: O presidente do BC ainda não concedeu entrevistas ou declarações pessoais sobre o caso, limitando-se à nota institucional.
