Após reunião de emergência, governo Lula articula resposta contra “violação do direito internacional”; bloco regional termina encontro sem consenso unânime, mas com críticas severas ao uso da força.
O governo brasileiro intensificou sua ofensiva diplomática em resposta ao ataque militar dos Estados Unidos que capturou Nicolás Maduro. Sob liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil convocou uma reunião extraordinária da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada neste domingo (4/1), para avaliar a estabilidade regional e buscar uma condenação conjunta da invasão.
Reunião da Celac: Divisões e Falta de Consenso

O encontro virtual, que durou cerca de duas horas, reuniu representantes dos 33 países membros, mas expôs as fraturas políticas da região:
- Posição Brasileira: Representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil defendeu que o ataque define um “precedente perigoso” e criticou a exploração de recursos naturais (petróleo) como justificativa para mudanças ilegais de governo.
- Falta de Acordo: O bloco encerrou a reunião sem um comunicado oficial unânime. Países como Argentina e Paraguai, que reconhecem as acusações de narcoterrorismo contra Maduro, enviaram representantes de baixo escalão e evitaram condenar a ação de Donald Trump, impedindo um consenso total.
- Alinhamento: Colômbia, México, Chile e Cuba alinharam-se ao Brasil na condenação veemente aos bombardeios e à captura forçada do líder venezuelano.
Estratégia na ONU: “Fins não justificam os meios”

O Brasil já preparou o terreno para o próximo embate diplomático na Organização das Nações Unidas (ONU), marcado para esta segunda-feira (5/1).
- Conselho de Segurança: O embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Danese, deve classificar o episódio como uma agressão à soberania nacional e uma erosão do multilateralismo.
- Argumento Central: O Itamaraty sustenta que, independentemente da natureza do regime de Maduro, a solução para conflitos internos deve respeitar a autodeterminação dos povos e os limites constitucionais, rejeitando a “lei da força”.
Resposta Interna e Monitoramento de Fronteiras

No plano interno, o governo brasileiro estabeleceu um comitê de crise. O ministro da Defesa, José Múcio, informou que as fronteiras seguem abertas do lado brasileiro, mas o Ministério da Justiça já se prepara para um possível aumento no fluxo de refugiados devido ao fechamento da passagem pelo governo venezuelano e ao estado de comoção em Caracas.
