Presidente da Colômbia reage a plano de operação militar dos EUA; Petro exige lealdade total das tropas à bandeira nacional e rejeita acusações de narcotráfico feitas pela Casa Branca.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, elevou o tom da crise diplomática com os Estados Unidos nesta segunda-feira (5). Em uma resposta direta às ameaças de Donald Trump — que sugeriu uma “operação militar” contra o país vizinho à Venezuela —, Petro declarou que está disposto a abandonar o pacto de paz de 1989 e retomar as armas para defender a integridade territorial colombiana.
A Ordem às Forças Públicas: Fidelidade à Bandeira

Em um comunicado incisivo na rede social X, Petro enviou uma mensagem clara à hierarquia militar do país:
- Lealdade Institucional: O mandatário ordenou a demissão imediata de qualquer comandante que “preferir a bandeira dos Estados Unidos à da Colômbia”.
- Regras de Engajamento: A instrução para a tropa é não disparar contra civis, mas reagir com força letal contra qualquer força estrangeira qualificada como “invasora”.
- Soberania Popular: Petro justificou a ordem citando o dever constitucional da Força Pública em defender a autodeterminação e a vontade do povo colombiano.
Defesa de Reputação: “Não sou narcotraficante”

A reação de Petro foi motivada por ataques pessoais de Trump, que o acusou de conivência com o tráfico de drogas — justificativa semelhante à usada para a invasão da Venezuela.
“Não sou ilegítimo, nem sou narcotraficante. Meus extratos bancários foram publicados… Não sou ambicioso”, afirmou Petro, contrastando sua vida pessoal com as acusações vindas de Washington.
Contexto Histórico: O Fantasma da Guerrilha

As palavras de Petro carregam um peso simbólico profundo, dado seu passado no M-19 (Movimento 19 de Abril). Ao afirmar que “conhece a guerra e a clandestinidade”, ele sinaliza que sua resistência não será apenas diplomática, mas potencialmente insurgente, caso os EUA tentem uma mudança de regime em Bogotá.
Tentativa de Desescalada (7 de Janeiro)

Apesar da retórica belicista inicial, novos relatos indicam que ambos os líderes conversarão por telefone na quarta-feira (7). Trump teria convidado Petro para uma visita à Casa Branca para discutir “desacordos sobre drogas”, sinalizando que a ameaça de invasão pode ter sido uma tática de pressão para obter concessões na política antidrogas e tarifas comerciais.
