Chanceler alemão Friedrich Merz e Ursula von der Leyen celebram vitória estratégica; tratado criará mercado de 700 milhões de consumidores e prevê eliminação gradual de tarifas em até 15 anos.
A aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia nesta sexta-feira (9) marca o fim de uma era de negociações iniciadas em 1999. Apesar do voto contrário da França e da Polônia, a maioria qualificada do bloco europeu (liderada por Alemanha, Espanha e agora com o apoio crucial da Itália) deu sinal verde para a assinatura, que pode ocorrer já na próxima segunda-feira (12), possivelmente no Paraguai.
O Fator Friedrich Merz: Pragmático e Veloz

O novo chanceler alemão, Friedrich Merz (eleito em maio de 2025), foi um dos principais articuladores para destravar o texto. Diferente do governo anterior, Merz imprimiu uma agenda de “soberania estratégica”, vendo o Mercosul como um parceiro essencial diante do isolacionismo dos EUA sob Donald Trump.
- Crítica à demora: Merz classificou os 25 anos de espera como “longos demais” e defendeu que a Europa recupere sua capacidade de ação comercial rápida.
Os Pilares do Acordo: O que muda na prática?

O tratado é dividido em dois instrumentos: o Acordo de Parceria (político e cooperação) e o Acordo Comercial Interino (focado na economia).
| Setor | Impacto e Regras |
| Indústria | Tarifas zeradas para 91% dos bens europeus e 95% dos bens do Mercosul. Benefício imediato para máquinas, automóveis e químicos. |
| Agronegócio | Cotas de importação para carnes, açúcar e etanol. Fora da cota, incidem tarifas para proteger produtores europeus. |
| Salvaguardas | Mecanismo que permite reintroduzir tarifas se as importações causarem desestabilização súbita no mercado europeu. |
| Ambiental | Cláusulas vinculantes que proíbem o comércio de produtos ligados ao desmatamento ilegal e exigem o cumprimento do Acordo de Paris. |
Macron e o “Vexame Diplomático”

O presidente francês Emmanuel Macron manteve-se firme na oposição, pressionado por protestos de agricultores em Paris que utilizaram tratores para bloquear ruas na última quinta-feira (8). No entanto, o isolamento da França foi classificado pelo jornal Le Monde como um “vexame diplomático”, dado que o país não conseguiu formar uma minoria de bloqueio para barrar a maioria qualificada da UE.
Próximos Passos

- Assinatura Formal: Prevista para o dia 12 de janeiro de 2026.
- Parlamento Europeu: O texto segue para ratificação do parlamento, etapa essencial para a entrada em vigor plena.
- Aplicação Provisória: O acordo comercial interino poderá começar a ser aplicado antes mesmo da ratificação de todos os estados-membros individuais.
