Luto na Teledramaturgia: O Adeus a Manoel Carlos, o Criador das “Helenas”

Redação Pernambuco Informa

O autor que transformou o bairro do Leblon em cenário mundial e elevou o drama familiar ao status de crônica social morre no Rio de Janeiro; relembre sua trajetória épica.

Manoel Carlos foi muito mais que um roteirista; ele foi o “psicólogo” da classe média brasileira. Suas tramas, quase sempre ambientadas no Rio de Janeiro, focavam em diálogos cotidianos, dilemas éticos profundos e, acima de tudo, na força da mulher.

O “Helenaverso”: As Protagonistas de Maneco

A maior marca registrada de Manoel Carlos foi a criação de sucessivas protagonistas chamadas Helena. Para o autor, o nome simbolizava uma mulher independente, passional e, muitas vezes, errante em nome do amor.

Ao todo, nove Helenas marcaram a TV Globo:

AnoNovelaAtriz (Helena)Dilema Principal
1981Baila ComigoLilian LemmertzA culpa por ter separado os filhos gêmeos.
1991FelicidadeMaitê ProençaCriar uma filha escondendo a identidade do pai.
1995História de AmorRegina DuarteDisputar um amor enquanto lida com uma filha rebelde.
1997Por AmorRegina DuarteTrocar seu filho vivo pelo neto morto para salvar a filha.
2000Laços de FamíliaVera FischerAbrir mão do namorado para que a filha, com câncer, seja feliz.
2003Mulheres ApaixonadasChristiane TorloniO tédio no casamento e o reencontro com uma paixão antiga.
2006Páginas da VidaRegina DuarteA adoção de uma menina com síndrome de Down.
2009Viver a VidaTaís AraújoA primeira Helena negra; o acidente que deixou a enteada tetraplégica.
2014Em FamíliaJulia LemmertzO ciúme da filha que se apaixona pelo seu antigo amor de juventude.

Um Legado Além das Novelas

Maneco começou sua carreira como ator e foi um dos pioneiros da TV brasileira, passando pela Tupi, Excelsior e Record. Ele dirigiu programas históricos como A Família Trapo e o Fantástico.

Sua escrita era marcada pelo “estilo crônica”: cenas longas em mesas de café da manhã, discussões sobre literatura, música clássica (especialmente Bossa Nova) e questões sociais urgentes, como a doação de medula óssea em Laços de Família, que gerou um recorde de registros no Brasil na época.

Vida Pessoal e Despedida

A vida pessoal do autor também foi marcada por superações. Ele enfrentou a perda de três de seus cinco filhos: Ricardo (1987), Manoel Carlos Júnior (2012) e Pedro (2014). A teledramaturgia brasileira perdeu um de seus maiores cronistas. Manoel Carlos, carinhosamente conhecido como “Maneco”, faleceu aos 92 anos na noite deste sábado, 10 de janeiro de 2026, no Rio de Janeiro.

Embora a família não tenha divulgado a causa direta da morte, o autor estava internado no Hospital Copa Star e lutava contra a Doença de Parkinson há seis anos, condição que se agravou no último ano, afetando suas funções motoras e cognitivas. Ele deixa a esposa, Elisabety, e as filhas Júlia Almeida (atriz) e Maria Carolina (roteirista).

Seguindo o desejo de discrição do autor, o velório será restrito à família.

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