Banqueiro celebrou proposta que aumentava garantia do FGC para R$ 1 milhão, chamando o senador de “grande amigo de vida”; texto foi protocolado poucas horas antes da troca de mensagens.
As mensagens, datadas de agosto de 2024, mostram uma sintonia fina entre o protocolo oficial no Senado e a comunicação privada do banqueiro.
🔍 O “Jabuti” Legislativo

A emenda apresentada por Ciro Nogueira foi inserida na PEC da Autonomia do Banco Central, mas tratava de um tema diferente do texto principal (prática conhecida como “jabuti”):
- A Proposta: Elevava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.
- O Beneficiário: Bancos médios, como o Master, que dependem fortemente da confiança dos investidores nessas garantias para captar recursos.
- A Reação de Vorcaro: “Ciro soltou um projeto agora que é uma bomba atômica… Ajuda os bancos médios e diminui o poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu o banqueiro para sua companheira, Martha Graeff.
🕒 Sincronia Suspeita

A perícia da Polícia Federal destacou a rapidez da comunicação:
- 18h09: Última modificação no documento oficial da emenda no sistema do Senado.
- 19h44: Daniel Vorcaro envia a mensagem comemorando a “bomba atômica”.
- Para os investigadores, essa agilidade reforça a tese de que o banqueiro não apenas sabia da emenda, mas possivelmente participou da sua construção.
🏛️ A Relação Vorcaro-Nogueira

Em mensagens anteriores, Vorcaro já havia deixado clara sua intimidade com o senador, descrevendo-o como um de seus “grandes amigos de vida” e manifestando o desejo de apresentá-lo à família.
- Status da PEC: Apesar da euforia do banqueiro na época, a “Emenda Master” não avançou e a PEC da Autonomia do BC continua parada no Senado sob forte resistência do governo e de setores do mercado financeiro que temiam o risco sistêmico de elevar as garantias do FGC.
📍 Reflexo em Pernambuco

Em Gravatá e no cenário político estadual, a revelação dessas mensagens coloca pressão sobre aliados do Progressistas (PP). A vinculação de uma das principais lideranças nacionais do partido com um banqueiro agora preso por fraude bilionária é usada como munição pela base governista para desgastar a oposição em Pernambuco, especialmente nas discussões sobre ética e transparência na gestão pública.
