O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua influência e a pressão de um momento de crise regional para forçar o aceite de um plano de paz de 20 etapas que visa não apenas encerrar a devastadora guerra de dois anos em Gaza, mas também reformular o Oriente Médio.
Nesta segunda-feira (13), Trump celebrou o fim do conflito e a libertação dos reféns israelenses restantes em um dia de diplomacia intensa, que revelou a fragilidade do acordo e as tensões subjacentes.
A Dupla Pressão: Jerusalém e Sharm el-Sheikh

A ofensiva diplomática de Trump ocorreu em duas etapas estratégicas:
- Em Jerusalém: Trump recebeu os reféns libertados, reuniu-se com suas famílias e foi ovacionado por líderes israelenses. Seu objetivo era claro: exortar Israel a declarar vitória e parar de lutar, para não comprometer o acordo. O presidente chegou a advertir Binyamin Netanyahu, dizendo: “Bibi, você será lembrado por isso muito mais do que se continuasse com isso, continuasse, continuasse, matasse, matasse, matasse.”
- Em Sharm el-Sheikh (Egito): O presidente seguiu para uma “cúpula da paz” com líderes árabes e outros líderes mundiais. O encontro, porém, foi notavelmente ausente dos principais envolvidos no conflito: o primeiro-ministro Netanyahu recusou o convite de última hora (alegando um feriado judaico, após um líder árabe se opor à sua presença), e o Hamas nunca foi incluído.
O Preço da Pressão

O alto funcionário da Casa Branca revelou que a pressão sobre Israel aumentou significativamente após jatos israelenses atacarem unilateralmente um prédio do Hamas em Doha (Catar). Embora Trump não tenha ameaçado cortar a ajuda militar, a mensagem era implícita:
“Sem os Estados Unidos, Israel não existirá. E você não precisa dizer isso,” disse o alto funcionário.
A iniciativa de cessar-fogo foi acelerada por enviados como Steve Witkoff e Jared Kushner, com sessões maratonianas de negociação, culminando na aceitação do plano por Netanyahu, “com algumas ressalvas”.
Resultados Imediatos do Acordo

O efeito imediato da pressão diplomática nesta segunda-feira incluiu:
- A devolução de 20 reféns vivos a Israel.
- A libertação de cerca de 1.700 detidos palestinos e 250 que cumpriam penas perpétuas.
- A facilitação da retomada urgente da ajuda humanitária a Gaza.
Fragilidade do Futuro e a Questão Hamas

Apesar da pompa da celebração, a trégua permanece frágil, e as partes ainda negociam a segunda fase do acordo: quem irá governar e reconstruir Gaza.
- Desarmamento: O ponto mais intransigente é o desarmamento do Hamas, que rejeitou publicamente a ideia, lembrando que “resistência é seu nome do meio, literalmente.”
- Solução de Dois Estados: O plano de Trump não preparou o terreno para a fundação de um Estado Palestino, o que representa a “grande lacuna” que pode inviabilizar a estabilidade a longo prazo, segundo analistas.
No Knesset, Trump celebrou: “Este é o amanhecer histórico de um novo Oriente Médio,” ligando o acordo à sua tentativa de construir um legado que se assemelhe aos Acordos de Abraão de seu primeiro mandato.
