Uma nova pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revela uma tendência notável no mercado de trabalho brasileiro: em 2023, os trabalhadores por aplicativo registraram uma renda média mensal (R$ 2.996) que superou em 4% a média dos demais trabalhadores do setor privado.
No entanto, especialistas apontam que esse ganho superior está atrelado a jornadas de trabalho consideravelmente mais extensas e reflete a busca por alternativas em meio à insuficiência da formação educacional brasileira para garantir empregos qualificados no mercado tradicional.
O Crescimento e Perfil da Economia Gig

O número de pessoas atuando em plataformas digitais está em ascensão, representando uma fatia crescente da população ocupada:
- Volume: Cerca de 1,7 milhão de pessoas atuavam em plataformas digitais no final de 2023, representando 1,9% da população ocupada (um aumento em relação aos 1,5% de 2022).
- Setores: A maior parte está concentrada no setor de transporte (carros ou motos). Além disso, 485 mil pessoas realizam entregas, e cerca de 300 mil atuam em serviços profissionais diversos (encanadores, pintores, etc.).
- Perfil: 84% dos profissionais cadastrados são homens, com quase 40% na faixa etária entre 25 e 39 anos. A escolaridade é mediana: 59% possuem ensino médio completo ou superior incompleto.
O Grande Risco: A Desproteção Social

Apesar da atratividade da renda, o maior contraste do trabalho por aplicativo é a desproteção social e a falta de garantias trabalhistas:
- Previdência Social: Apenas 35,9% dos profissionais de aplicativo contribuem para a Previdência Social.
- Contraste com o Formal: No mercado formal (setor privado), este índice de contribuição ultrapassa 80%.
O cenário aponta para uma dualidade: maior renda imediata, mas com a contrapartida de maior tempo de trabalho e um futuro de grande insegurança previdenciária e social.
