Caged: Brasil cria 85,9 mil vagas em novembro e registra pior resultado desde 2020

Redação Pernambuco Informa

Abertura de postos de trabalho cai 19% em relação ao ano anterior; comércio e serviços seguram o saldo positivo enquanto indústria, agro e construção amargam demissões.

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou, nesta terça-feira (30), os dados do Caged referentes a novembro, revelando que o mercado de trabalho formal no Brasil vive um momento de clara desaceleração. Foram criadas 85,9 mil vagas com carteira assinada, o menor saldo para o mês desde a implementação da nova metodologia do cadastro, em 2020.

O Raio-X dos Números

O resultado de novembro é o balanço entre 1,98 milhão de admissões e 1,89 milhão de desligamentos.

  • Comparativo Anual: Houve uma queda expressiva de 19% em relação a novembro de 2024, quando o país havia gerado 106,1 mil postos.
  • Acumulado do Ano: De janeiro a novembro, o Brasil soma 1,9 milhão de novos empregos formais.
  • Renda: O salário médio de admissão ficou em R$ 2.310,78.

Setores: Comércio brilha no Natal; Indústria e Agro caem

O saldo positivo do mês foi sustentado quase exclusivamente pelo aquecimento sazonal de fim de ano. Apenas dois dos cinco grandes grupos econômicos contrataram:

  1. Comércio: +78 mil vagas (impulsionado pelas vendas de fim de ano).
  2. Serviços: +75,1 mil vagas.
  3. Indústria: -27 mil (impactada pela fabricação de açúcar bruto).
  4. Construção: -23,8 mil (obras de rodovias e edifícios).
  5. Agropecuária: -16,5 mil (entressafra da soja e cana-de-açúcar).

Juros de 15% e o desaquecimento econômico

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu o resultado fraco à política monetária restritiva. Com a taxa Selic em 15% ao ano, o custo do crédito encarece investimentos produtivos e retrai o consumo de bens duráveis, afetando diretamente a indústria e a construção civil.

Destaques Regionais

Vinte estados registraram saldo positivo, com o eixo Sudeste e o Nordeste liderando a criação de vagas:

  • Maiores saldos: São Paulo (31,1 mil), Rio de Janeiro (19,9 mil) e Pernambuco (9 mil).
  • Maiores perdas: Minas Gerais (-8,7 mil) e Goiás (-8,4 mil), estados fortemente ligados ao agronegócio que sofreu com o ciclo de safra.
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