Em reunião de emergência, EUA negam estado de guerra e classificam ação como “operação policial”, enquanto Rússia, China e Brasil condenam o uso unilateral da força e a violação do direito internacional.
O Conselho de Segurança da ONU (CSNU) realizou, nesta segunda-feira (5), uma sessão extraordinária marcada por tensão máxima e retórica acirrada. Convocada pela Colômbia com apoio do bloco sino-russo, a reunião teve como objetivo debater as implicações da queda e captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas.
“Aplicação da Lei” vs. “Ato de Agressão”

O debate girou em torno da legalidade da operação conduzida pelo governo de Donald Trump. As posições foram antagônicas:
- Estados Unidos: O embaixador Michael Waltz negou que o país esteja ocupando a Venezuela ou em guerra. Ele descreveu a ação como uma “operação de aplicação da lei” para cumprir mandados de prisão por narcoterrorismo, comparando-a à prisão de Manuel Noriega no Panamá em 1989.
- Rússia e China: Condenaram firmemente o que chamaram de “sequestro de um chefe de Estado” e exigiram a libertação imediata de Maduro e Cilia Flores. O representante russo, Vassily Nebenzia, acusou Washington de retornar ao “imperialismo do século XIX”.
- Brasil: O embaixador Sérgio Danese expressou o temor do governo Lula de que a ação crie um “precedente perigoso”. O Brasil defendeu que os fins não justificam os meios e alertou que o abandono das regras internacionais levará o mundo de volta à “lei da selva”.
Composição do Conselho de Segurança


A reunião evidenciou como o poder de veto trava decisões em casos de intervenção de grandes potências:
| Tipo de Membro | Países | Poder de Veto |
| Permanentes | EUA, Rússia, China, França, Reino Unido | Sim |
| Rotativos | 10 países (incluindo a Somália, atual presidente) | Não |
A Posição de António Guterres

A vice-secretária-geral da ONU, Rosemary DiCarlo, falando em nome de António Guterres, afirmou que a organização está “profundamente preocupada” com o desrespeito às regras do direito internacional. Guterres enfatizou que a estabilidade global depende do cumprimento da Carta da ONU por todos os Estados-membros, independentemente de discordâncias políticas.
Próximos Passos

O encontro terminou sem a aprovação de uma resolução conjunta, devido ao provável veto dos EUA em qualquer condenação direta e ao veto de Rússia/China em qualquer legitimação da nova “administração” proposta por Trump. O Brasil, por sua vez, continuará articulando uma saída diplomática através da Celac e da OEA, tentando mediar um processo de transição que devolva a soberania ao povo venezuelano.
