“Delinquente do PCC” e “Samambaia Jurídica”: As Frases Marcantes de Moraes no Voto que Pede a Condenação de Bolsonaro

Redação Pernambuco Informa

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, proferiu um voto de mais de três horas no julgamento da trama golpista, usando frases irônicas e contundentes para refutar os argumentos das defesas. O relator da ação penal afastou todas as preliminares e usou metáforas fortes para defender a tese de que houve uma tentativa de golpe de Estado.

Ironia e Críticas Diretas aos Réus e Defensores

Moraes foi especialmente duro ao se dirigir às defesas e aos réus. Ao se referir às anotações do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, ele as chamou de “meu querido diário” e comparou a comunicação entre o ex-agente e o então presidente a uma “mensagem de um delinquente do PCC”.

Ele também rechaçou a crítica do advogado do general Augusto Heleno sobre o número de perguntas que teria feito, classificando a ideia de que o juiz deve ser passivo no processo como uma “samambaia jurídica”. Moraes afirmou que o tribunal não faz um “julgamento psicológico” para rebater o argumento da defesa de Braga Netto, que questionou a acareação com Mauro Cid.

Ainda durante a sessão, o ministro fez uma forte ironia sobre a tese da defesa de Mário Fernandes, que negou a apresentação de um plano de assassinato contra Lula, Alckmin e o próprio Moraes. O ministro disse que “não é crível e não é razoável” achar que Mário Fernandes “fez barquinho de papel” com a impressão do plano, em uma tentativa de subestimar a inteligência da Corte.

Ameaças de Bolsonaro em Votação

Durante seu voto, o ministro citou diretamente falas e ameaças do ex-presidente Jair Bolsonaro a ele e ao Poder Judiciário. Moraes relembrou uma entrevista de agosto de 2021 em que Bolsonaro deu um “ultimato” ao Supremo em uma manifestação de 7 de setembro do mesmo ano em que o ex-presidente fez ameaças diretas a ele, dizendo: “Acabou o tempo dele, sai Alexandre de Moraes, deixe de ser canalha… esse presidente não mais cumprirá qualquer decisão sua.”

Após afastar todas as questões preliminares, Moraes segue votando o mérito da ação penal, que definirá se Jair Bolsonaro e os outros sete réus serão condenados ou absolvidos.

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