Com rombo estimado em R$ 12 bilhões, banco de Daniel Vorcaro é alvo da Operação Compliance Zero. Haddad alerta para o risco ao FGC, abastecido por bancos públicos como BB e Caixa.
O colapso do Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, não foi apenas um problema de liquidez, mas, segundo investigações da Polícia Federal, o resultado de um esquema deliberado de fraude estruturada.
🔍 As Peças do Esquema: O que a PF descobriu?

A Operação Compliance Zero revelou práticas agressivas para manter a aparência de solidez enquanto o banco estava, na prática, insolvente:
- Créditos Fictícios: Criação de carteiras de crédito consignado com tomadores inexistentes (os chamados “fantasmas”).
- Ativos Inflados: Uso de títulos sem valor (como ações do extinto Besc) registrados por valores milionários para “maquiar” o balanço.
- Venda ao BRB: Tentativa de vender essas carteiras podres ao Banco de Brasília (BRB), operação que foi vetada pelo Banco Central no último momento por alto risco de sucessão.
- Guerra de Desinformação: Uso de cerca de 46 influenciadores digitais em uma campanha coordenada para atacar o Banco Central e defender a gestão do Master.
💰 O Risco Público e o Fundo Garantidor (FGC)

O ministro Haddad enfatizou que o caso é de interesse público porque o FGC, que honra depósitos de até R$ 250 mil para correntistas, recebe aportes bilionários da Caixa e do Banco do Brasil.
- Impacto: BB e Caixa respondem por cerca de 1/3 da capitalização do FGC. Uma fraude deste tamanho pode drenar recursos que deveriam garantir a estabilidade de todo o sistema financeiro.
🏛️ Trégua Institucional: BC vs. TCU

Após dias de tensão sobre quem deveria fiscalizar o quê, um acordo foi selado nesta semana (12/01):
- Inspeção Autorizada: O presidente do BC, Gabriel Galípolo, retirou o recurso contra a fiscalização do TCU.
- Limites: O TCU terá acesso aos documentos que embasaram a liquidação para garantir a legalidade do processo, mas sem poder para reverter a decisão técnica de fechar o banco.
- Investigação Criminal: O controlador do banco, Daniel Vorcaro, segue sob investigação (atualmente em prisão domiciliar), enquanto outros executivos foram detidos tentando fugir do país.
