Flávio Dino bloqueia R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto por desvios no ‘Orçamento Secreto’

Redação Pernambuco Informa

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. A decisão fundamenta-se em investigações da Polícia Federal (PF) que apontam suspeitas de que o dirigente partidário tenha desviado a destinação de 21 emendas parlamentares, mesmo sem exercer qualquer mandato eletivo.

Segundo a PF, o esquema consistia na utilização de servidores da Câmara dos Deputados para direcionar recursos do chamado “orçamento secreto” — esquema de balcão de negócios políticos revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 2021 — em benefício do próprio Valdemar.

“Contornos nefastos”: A dura decisão de Dino

Em sua decisão de 34 páginas, o ministro Flávio Dino classificou a ingerência externa sobre as verbas públicas como um ato de extrema gravidade contra a administração pública.

“Não restam dúvidas de que as ações ora investigadas causaram prejuízo ao erário (…). O fato de que um terceiro não atuante no parlamento brasileiro tinha o poder e a ingerência sobre o direcionamento do orçamento público é gravíssimo e materializa o que de mais nefasto há em termos de desvios envolvendo o tema do orçamento secreto”, anotou o ministro.

O rastro dos R$ 104 milhões pagos

O relatório da Polícia Federal, que serviu de base para a medida cautelar do STF, detalha que o montante efetivamente rastreado e já desembolsado pelo governo federal atinge cifras bilionárias no topo do esquema. Os investigadores suspeitam que o presidente do PL tenha sido o beneficiário direto de pelo menos R$ 104 milhões desse total.

As fraudes vieram à tona no âmbito da Operação Transparência, deflagrada pela PF em dezembro de 2025. A apuração aponta os seguintes pilares do esquema:

  • Autonomia irregular: Valdemar Costa Neto utilizava seu peso político como presidente da maior sigla do Congresso para ditar o destino de emendas como se fossem de sua “cota pessoal”.
  • Operação interna: O direcionamento das verbas era operado por Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora de confiança do deputado federal Arthur Lira (PP-AL). Ela atuou diretamente no gabinete da presidência da Câmara e, posteriormente, na liderança do PP.

Até o momento da publicação desta reportagem, a defesa de Valdemar Costa Neto não havia se manifestado publicamente sobre o bloqueio de bens. O espaço permanece aberto para o posicionamento do dirigente.

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