O ex-vereador Carlos Henrique Lins, de São Joaquim do Monte, faleceu no dia 29 de maio de 2021, vítima de complicações da COVID-19, em um hospital no Recife. Carlos exerceu mandato na cidade vizinha entre 2017 e 2020, mas não foi reeleito nas eleições municipais de 2020. Irmão do atual prefeito de São Joaquim do Monte, Duguinha Lins, ele passou a colaborar com a Prefeitura de Gravatá no início da gestão do prefeito Padre Joselito (PSB).
Apesar de não possuir vínculo formal com a administração municipal – não sendo concursado, contratado nem nomeado em cargo comissionado –, Carlos Henrique recebia mensalmente o valor de R$ 5.000,00 por meio de empenhos ordinários. Segundo a própria prefeitura, ele exercia a função de Diretor do Mercantil da Secretaria de Finanças, cargo que, legalmente, só poderia ser ocupado mediante nomeação ou contratação oficial.

O caso chamou ainda mais atenção quando veio à tona que o pagamento referente ao mês de maio de 2021 foi efetuado mesmo após a morte de Carlos Henrique. Internado desde o dia 11 de maio, ele foi entubado na UTI do Hospital Santa Joana no dia 14 e faleceu no dia 29. Dois dias após o falecimento, no dia 31 de maio, uma nota fiscal foi emitida em seu nome e, logo em seguida, a Prefeitura de Gravatá realizou a liquidação e o pagamento do valor integral de R$ 5.000,00.
A situação levanta questionamentos sobre possíveis irregularidades na gestão municipal. Entre os pontos que causam estranheza estão: o pagamento de salário a um servidor que não trabalhou durante o mês (por estar hospitalizado), a emissão de nota fiscal em nome de uma pessoa já falecida — o que pode configurar falsidade ideológica — e o exercício de função de chefia sem vínculo legal com a prefeitura.

De acordo com informações disponíveis no Portal da Transparência do Município de Gravatá e no Portal Tome Contas do Tribunal de Contas de Pernambuco, Carlos Henrique recebeu, ao todo, R$ 15 mil em salários durante sua atuação informal na administração municipal, sendo os últimos R$ 5 mil pagos postumamente.
