Segundo o radialista Marivan Melo, as agressões ocorreram um dia após ele divulgar uma denúncia sobre um possível caso de nepotismo na prefeitura. A Polícia Civil está apurando os fatos.
A Polícia Civil de Pernambuco abriu um inquérito para investigar um caso de lesão corporal em Gravatá, no Agreste do estado. A agressão teria sido praticada por Mauricelia Facundes, sogra do prefeito reeleito Padre Joselito (Avante). A vítima é o radialista e blogueiro Marivan Melo.
Segundo o comunicador, a agressão aconteceu um dia após ele publicar uma denúncia sobre um suposto caso de nepotismo na prefeitura. Imagens gravadas por moradores mostram o blogueiro com o rosto ensanguentado, enquanto a mulher, conhecida como Tea, aparece correndo atrás dele com uma barra de ferro em plena via pública.
De acordo com o relato de Marivan Melo, o episódio ocorreu na tarde da sexta-feira (25), por volta das 15h, na Rua José Fabiano Bezerra, no bairro Quinze de Novembro. Ele afirmou que estava chegando em casa quando foi surpreendido por Mauricelia e Michele Facundes, cunhada do prefeito.
A confusão teria sido motivada por uma publicação feita pelo blogueiro no dia anterior, relacionada a uma recomendação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) que pede a exoneração da primeira-dama, Viviane Facundes, do cargo de secretária municipal de Obras e Serviços Públicos, por suspeita de nepotismo.
Ainda segundo Marivan, após ser agredido, ele buscou abrigo em um mercadinho nas proximidades, mas continuou sendo hostilizado por Michele, que, do lado de fora, proferia ameaças. Em um dos vídeos que circulam nas redes sociais, é possível ouvir a cunhada do prefeito dizendo: “Saia, saia para você apanhar de novo”.
O radialista relatou que acionou a Polícia Militar, mas, segundo ele, os agentes não conseguiram localizar o mercadinho onde ele se encontrava. Por segurança, Marivan pediu a um amigo que o levasse de carro até a Delegacia de Gravatá, onde prestou queixa. Em seguida, ele realizou exame de corpo de delito no Instituto de Medicina Legal (IML) de Palmares, na Zona da Mata Sul do estado.
“Ela (Tea) veio com o ferro, botei o braço e me afastei. Comecei a andar em volta de um carro, na rua, e ela arrodeando. Em poucos segundos, a filha dela (Michele) chegou num carro em alta velocidade e jogou o carro em cima de mim […] Corri, mas elas conseguiram me alcançar, tentei entrar num mercado, que estava fechado, o menino abriu e entrei”, afirmou Marivan Melo.
Medida protetiva e histórico de denúncias
Marivan Melo também relatou que, nos últimos meses, vem fazendo publicações com críticas e denúncias contra a gestão municipal e, em especial, contra a primeira-dama Viviane Facundes.
No mês anterior ao episódio, a própria Viviane obteve na Justiça uma medida protetiva contra o radialista, alegando que estava sendo ameaçada. A decisão judicial determinou que o comunicador mantivesse uma distância mínima de 200 metros de Viviane e de seus familiares, estendendo a proteção também à mãe dela.
Na quinta-feira (24), um dia antes da confusão, Marivan havia divulgado a recomendação do MPPE que solicita ao prefeito a exoneração de Viviane do cargo de secretária de Obras e Serviços Públicos. A nomeação, segundo o Ministério Público, pode configurar nepotismo, uma vez que, de acordo com o promotor responsável pelo caso, a primeira-dama não possui qualificação técnica para a função.
Posicionamento da defesa da família do prefeito
Em nota, a defesa da sogra e da cunhada do prefeito acusou Marivan Melo de promover uma campanha de ataques pessoais e de disseminação de informações falsas. Segundo os advogados, o comunicador desrespeitou a medida cautelar vigente e teria feito provocações em frente à residência de Mauricelia Facundes no dia da agressão.
A defesa afirmou ainda que a sogra do prefeito reagiu a ofensas proferidas por Marivan, alegando que a “verdadeira vítima foi levada ao limite”. Também foi destacado que o radialista responde a vários processos judiciais desde 2009, a maioria por crimes contra a honra.
O partido Avante, ao qual o prefeito é filiado, informou que não irá se pronunciar sobre o caso. Até o momento, a Prefeitura de Gravatá também não emitiu posicionamento oficial sobre a recomendação do Ministério Público.

