Um novo estudo da University of South Australia, publicado no American Journal of Clinical Nutrition, desafia a antiga cautela sobre o consumo de ovos e colesterol. A pesquisa sugere que comer dois ovos por dia pode, na verdade, estar associado a uma diminuição nos níveis de colesterol LDL (“ruim”).
Colesterol: O Ovo Inocente e a Gordura Saturada

O ensaio comparou três dietas distintas, e o resultado surpreendeu os pesquisadores:
| Dieta | Resultado no Colesterol LDL | Conclusão |
| Alto Colesterol/Baixo Teor de Gordura (Dois Ovos por Dia) | Redução nos níveis de LDL. | O consumo de ovos não aumentou o colesterol ruim. |
| Alto Teor de Gordura/Alto Colesterol OU Alto Teor de Gordura/Baixo Colesterol | Aumento nos níveis de LDL. | A gordura saturada, e não o colesterol do ovo, é a principal responsável pelo aumento do LDL. |
O autor principal, Jon Buckley, enfatizou a necessidade de clareza na mensagem de saúde pública: “O consumo de ovos não aumentará os níveis de colesterol LDL. A mensagem sobre isso precisa ser mais clara”.
Recomendações e Outros Benefícios

Apesar da nova pesquisa, a American Heart Association ainda mantém a recomendação de um ovo por dia. Contudo, evidências crescentes sugerem que o risco é baixo:
- Um estudo de 2018 já havia indicado que consumir até 12 ovos por semana não aumentava os riscos cardíacos em pessoas com pré-diabetes ou diabetes tipo 2.
- Valor Nutricional: Além da saúde do coração, os ovos são uma potência nutricional, fornecendo cerca de 70 calorias, mas ricos em:
- Colina: Importante para a função cerebral.
- Luteína e Zeaxantina: Essenciais para a saúde dos olhos.
- Proteína: Crucial para a força muscular.
- Vitaminas: B12, D, e selênio.
Evidências Mistas e o Futuro

As evidências científicas, contudo, ainda não são totalmente unânimes. Uma revisão de 2021 associou o maior consumo de ovos a menores riscos de doenças cardíacas e AVC, mas também apontou um possível aumento da mortalidade por câncer.
Mais pesquisas são necessárias para estabelecer diretrizes definitivas, embora o próprio Dr. Buckley admita que continua comendo ovos “sem pensar duas vezes”.
