Brasília, 20 de agosto de 2025 – A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. A investigação está vinculada à ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a suposta tentativa de golpe de Estado.
Além do indiciamento, a PF realizou buscas e apreensões contra o pastor Silas Malafaia, apontado como articulador de estratégias de comunicação para pressionar autoridades. Ele não foi indiciado, mas teve o passaporte retido e está proibido de deixar o país.
Indiciamento e relatório da PF
O relatório da PF, com cerca de 170 páginas, foi entregue ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. O documento aponta que Jair e Eduardo Bolsonaro atuaram para intimidar ministros da Corte e obstruir investigações relacionadas à tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
Segundo a PF, foram identificadas trocas de mensagens entre Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Silas Malafaia, inclusive conteúdos apagados e recuperados de celulares apreendidos. Essas conversas indicariam tentativas de coagir autoridades e de desacreditar o processo judicial
Atuação internacional e movimentações financeiras
De acordo com as investigações, Eduardo Bolsonaro, atualmente nos Estados Unidos, teria buscado apoio junto ao governo Donald Trump para influenciar decisões internas do Brasil. O relatório cita inclusive medidas comerciais, como o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, como parte das pressões.
A PF ainda aponta indícios de que Jair Bolsonaro repassou cerca de R$ 2 milhões por meio de contas de suas esposas para financiar as atividades do filho no exterior.
Descumprimento de medidas cautelares
Mesmo após o STF impor restrições em julho de 2025, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com outros investigados, Jair Bolsonaro teria voltado a se comunicar nas redes sociais.
Mensagens indicam que ele recebeu orientações de Silas Malafaia sobre estratégias de publicação e impulsionamento de conteúdo, em possível descumprimento das medidas cautelares.
Descumprimento de medidas cautelares
Mesmo após o STF impor restrições em julho de 2025, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato com outros investigados, Jair Bolsonaro teria voltado a se comunicar nas redes sociais.
Mensagens indicam que ele recebeu orientações de Silas Malafaia sobre estratégias de publicação e impulsionamento de conteúdo, em possível descumprimento das medidas cautelares.
Pedido de asilo político à Argentina
Outro ponto que chamou atenção da PF foi a descoberta de um rascunho de pedido de asilo político à Argentina, salvo no celular do ex-presidente dois dias após a deflagração da Operação Tempus Veritatis, em 2024. O documento era direcionado ao presidente argentino Javier Milei, o que, segundo os investigadores, reforça o risco de fuga.
Silas Malafaia: alvo de buscas, mas sem indiciamento

O pastor Silas Malafaia foi alvo de buscas e apreensões no Rio de Janeiro. Ele teve celular e documentos recolhidos e está proibido de se comunicar com outros investigados. Apesar disso, a PF não formalizou seu indiciamento.
O relatório descreve Malafaia como figura importante na disseminação de mensagens e na orientação de estratégias políticas e midiáticas para enfraquecer as decisões do STF.
Próximos passos
O relatório final da PF será analisado pelo Ministério Público Federal (MPF), que poderá oferecer denúncia formal contra os investigados ou solicitar novas diligências. O julgamento da ação penal sobre a tentativa de golpe no STF está previsto para começar em 2 de setembro de 2025.
