A decisão de William Bonner de deixar o comando do Jornal Nacional em novembro reforça a percepção de uma mudança na estratégia da Globo. Após anos de embates com o governo de Jair Bolsonaro e críticas que renderam o apelido de “Globo Lixo”, a emissora parece focar na reconexão com o público conservador, que se afastou dos veículos de comunicação tradicionais.
Pesquisa Interna Revela Perfil Conservador do Brasileiro

Essa reviravolta é fundamentada em dados. O estudo “Brasil no Espelho”, encomendado pela Globo à Quaest, revelou que o público brasileiro se posiciona majoritariamente no centro e centro-direita, com forte adesão a valores tradicionais, como a religiosidade e a família. Segundo o sócio da Quaest, Felipe Nunes, a média do Brasil é “tradicional e mais conservadora, tanto nas questões econômicas quanto nas que envolvem valores”.
As conclusões do estudo têm orientado novas produções da emissora, como a temporada da série Sons de São Paulo, focada em música religiosa. Além disso, a Globo tenta equilibrar sua programação, visando atrair segmentos como o público do agronegócio e os evangélicos.
Demissões e Remanejamentos de Jornalistas

A mudança de rumo também se reflete em decisões internas. A demissão de Daniela Lima da GloboNews, menos de dois anos após sua contratação, é vista como um marco dessa estratégia. A jornalista era alvo de críticas da extrema-direita, e sua saída sinalizou uma tentativa de corrigir a imagem do canal, que, segundo pesquisas qualitativas, era percebido como elitista e vazio por profissionais conservadores.
O remanejamento de outros jornalistas, como Nilson Klava para Nova York e a saída antecipada de César Tralli para o Jornal Nacional, também são interpretadas como parte da reestruturação. A ideia seria prepará-los para uma cobertura mais neutra, evitando a associação com o viés político que a GloboNews adquiriu.
