“Sou um prisioneiro de guerra”: Maduro declara inocência em tribunal de Nova York

Redação Pernambuco Informa

Em audiência de 30 minutos, líder venezuelano e a esposa, Cilia Flores, negam acusações de narcoterrorismo; defesa contesta legalidade da captura e alega imunidade diplomática.

O cenário político global viveu um momento surreal nesta segunda-feira (5). Nicolás Maduro, o líder capturado por forças americanas no último fim de semana, compareceu ao tribunal federal de Lower Manhattan para sua audiência de custódia. Vestindo um uniforme prisional azul sobre trajes laranjas, Maduro utilizou o espaço para reafirmar sua legitimidade e atacar a operação militar que o levou aos EUA.

O Embate no Tribunal: Inocência e Desafio

A audiência, presidida pelo juiz federal Alvin Hellerstein, foi marcada por declarações contundentes do réu. Através de um intérprete, Maduro tentou falar por diversas vezes antes de ser orientado pelo magistrado a focar nos trâmites legais.

  • A Declaração: “Eu sou inocente. Eu sou um homem decente. Eu sou o presidente constitucional do meu país”, afirmou Maduro. Ele descreveu a si mesmo como um “prisioneiro de guerra” e alegou ter sido “sequestrado” em sua residência em Caracas.
  • Cilia Flores: A ex-primeira-dama também se declarou inocente. Seu advogado, Mark Donnelly, destacou que Flores apresentava hematomas no olho e ferimentos no rosto, alegando que ela sofreu agressões durante a captura.

O Rol de Acusações e a Prisão Perpétua

A Procuradoria-Geral dos EUA, representada pela linha dura do governo Trump, manteve as acusações detalhadas no indiciamento de 2020 e atualizadas após a prisão:

  1. Narcoterrorismo: Liderança do “Cartel dos Sóis” em parceria com as FARC.
  2. Tráfico de Cocaína: Conspiração para enviar toneladas da droga aos EUA.
  3. Armamento Pesado: Uso e posse de metralhadoras e dispositivos de destruição em massa.
  • Pena: Somadas, as condenações podem resultar em prisão perpétua.

Estratégia de Defesa e Próximos Passos

Os advogados de Maduro indicaram que a principal linha de defesa não focará inicialmente no mérito das drogas, mas na jurisdição:

  • Imunidade Soberana: A defesa alega que Maduro é o chefe de Estado de uma nação soberana e, portanto, imune a tribunais estrangeiros.
  • Ilegalidade da Captura: Questionarão a validade jurídica de uma operação militar estrangeira para cumprir mandados de prisão civil.

O juiz Hellerstein negou qualquer pedido de fiança e marcou a próxima sessão para o dia 17 de março de 2026, quando Maduro e Flores deverão prestar depoimentos mais detalhados. Até lá, ambos permanecem detidos no Brooklyn.

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