Decisões do ministro sobre a guarda de provas e revelações de elos familiares com o grupo investigado geram pedidos de suspeição e críticas de peritos federais.
1. O “Recuo” sobre as Provas Apreendidas

A maior polêmica recente envolveu a custódia de celulares, computadores e documentos da Operação Compliance Zero:
- A Ordem Inicial: Toffoli determinou que todo o material apreendido com Daniel Vorcaro e seus aliados fosse lacrado e enviado diretamente ao STF, proibindo o acesso da PF.
- A Reação: A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) manifestou “profunda preocupação”, alertando que a demora na perícia poderia comprometer a integridade dos dados digitais.
- O Recuo: Após forte pressão da PF e um parecer da PGR, Toffoli voltou atrás e autorizou que quatro peritos da PF analisassem o material, mas sob a guarda do Ministério Público Federal (MPF) e não da polícia, para garantir uma “visão sistêmica” dos crimes.
2. Conflitos de Interesse: O Elo com o Resort Tayayá

Reportagens publicadas nesta semana (20-23 de janeiro) trouxeram à tona conexões familiares que estremeceram a relatoria:
- A Denúncia: Irmãos do ministro teriam cedido participações em um resort no Paraná (Tayayá) a um fundo da Reag Investimentos — empresa que teve a liquidação decretada justamente por ser suspeita de gerir fundos fraudulentos vinculados ao Banco Master.
- A Consequência: Movimentos como o MBL e parlamentares de oposição protocolaram representações na PGR pedindo que Toffoli seja declarado suspeito para julgar o caso, alegando falta de imparcialidade.
3. Atrito Explícito com a Polícia Federal

O ministro tem utilizado seus despachos para criticar abertamente a condução da PF:
- “Falta de Empenho”: Toffoli acusou a corporação de inércia e atrasos no cumprimento de diligências, chegando a dar prazos de 24 horas para explicações do diretor-geral, Andrei Rodrigues.
- Concentração de Poder: Em dezembro de 2025, Toffoli puxou para si todas as investigações sobre o Master que tramitavam em outras instâncias, centralizando o caso no STF sob o argumento de “prevenir nulidades”.
