O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, rechaçou qualquer possibilidade de recuo na pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. Em entrevista à GloboNews, o dirigente partidário assegurou que “não passa pela cabeça” da legenda retirar o parlamentar da disputa e afirmou que manteria o apoio ao filho de Jair Bolsonaro mesmo se soubesse antecipadamente de suas relações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A declaração ocorre em meio ao desgaste provocado pela divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de áudios em que o senador solicita recursos financeiros ao então dono do Banco Master para financiar o documentário Dark Horse, focado na trajetória do ex-presidente da República.
Bastidores da reunião e justificativa do partido

Valdemar revelou ter convocado uma reunião de alinhamento com Flávio Bolsonaro para entender a extensão das conversas e traçar a estratégia de resposta pública do partido.
De acordo com o presidente do PL, a conduta do pré-candidato foi estritamente comercial e motivada pela escassez de patrocinadores para o projeto audiovisual:
- Falta de opções: Flávio teria recorrido a Vorcaro por encontrar dificuldades em arrecadar a verba necessária no mercado tradicional.
- Fidelidade comercial: Valdemar classificou como “natural” a visita do senador ao empresário — realizada quando este já cumpria medidas cautelares —, alegando que o parlamentar buscava cobrar parcelas restantes e encerrar o vínculo.
“Teria topado [a candidatura], sim, porque ele não tinha opção. Foi procurar uma alternativa para conseguir fazer o filme do pai. O que o Flávio fez é natural, é a coisa mais normal do mundo”, defendeu Valdemar, embora tenha admitido que foi pego de surpresa pelo caso.
Divergência sobre dados de pesquisas eleitorais

Ao analisar o impacto político do escândalo na corrida presidencial de 2026, Valdemar Costa Neto minimizou os danos à imagem do pré-candidato do PL, embora sua leitura dos números divirja dos dados oficiais divulgados pelos institutos de pesquisa.
O dirigente partidário sustentou que, nas contas internas da legenda, Flávio Bolsonaro ainda figuraria “um ou dois pontos à frente” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, o cenário real capturado pelo último levantamento Datafolha aponta uma vantagem consolidada para o atual chefe do Executivo no primeiro turno e uma liderança no limite da margem de erro no segundo turno.
Comparativo: Discurso do PL vs. Dados Oficiais (Datafolha)

| Cenário de Disputa | Visão de Valdemar (PL) | Dados Oficiais Datafolha |
| Primeiro Turno | Flávio Bolsonaro na liderança (1 a 2 pontos) | Lula: 40% Flávio: 31% (Vantagem de 9 pontos para o petista) |
| Segundo Turno | Vantagem interna para o PL | Lula: 47% Flávio: 43% (Empate técnico no limite da margem) |
Nota: Pesquisa Datafolha registrada sob o código BR-07489/2026.
