O presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, manifestou publicamente sua irritação com a crescente fragmentação da direita brasileira. Em uma declaração nas redes sociais nesta sexta-feira (26), Nogueira criticou o que chamou de “falta de bom senso” do espectro político, alertando para o risco de uma derrota eleitoral em 2026.
Apelo por Unidade em Meio à Crise

A reação efusiva de Ciro Nogueira, líder da federação PP-União Brasil (que controla a maior bancada na Câmara), surge após o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), sinalizar a possibilidade de desistir de ser o principal candidato da “Terceira Via” anti-Lula, devido aos ataques internos.
Nogueira, um dos principais articuladores do Centrão, utilizou termos dramáticos para expor o impasse:
“Já está passando de todos os limites a falta de bom senso na Direita, digo aqui a centro direita, a própria direita e seu extremo. Ou nos unificamos ou vamos jogar fora uma eleição ganha outra vez.”
Ele enfatizou que as divergências internas não podem levar o campo político a se tornar “cabo eleitoral de Lula, do PT e do PSOL”.
Disputa por Poder e o “PL da Dosimetria”

A crise é impulsionada pela disputa de poder e pela negociação nos bastidores envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Acordo: Nogueira lidera a costura de um acordo em que Bolsonaro apoie Tarcísio em 2026. Em troca, a cúpula do Centrão tentaria aprovar o “PL da Dosimetria”, uma alternativa à anistia que visa abrandar a pena de 27 anos e 3 meses imposta a Bolsonaro, afastando o risco de prisão.
O Vice: A tensão aumentou porque Nogueira busca se cacifar para a vice-candidatura de Tarcísio, excluindo a proposta original de Bolsonaro de indicar um membro de seu clã, como Eduardo, Flávio ou Carlos.
Ataques e Isolamento de Eduardo Bolsonaro

A manobra gerou intensa irritação nos filhos de Bolsonaro, que, por meio de aliados, classificam Nogueira e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, como “oportunistas” que apenas buscam tirar proveito da base bolsonarista.
- Aliados de Eduardo Bolsonaro, em reportagem desta sexta-feira (26), atacaram Nogueira, afirmando que ele está “hipnotizado” pela chance de ser vice de Tarcísio.
- Em resposta, Tarcísio Gomes de Freitas enviou mensagens, via mídia, ameaçando abandonar a disputa caso Eduardo persista em “fragmentar” a direita com seus ataques, muitas vezes articulados dos Estados Unidos ao lado de Paulo Figueiredo.
Missão Fracassada e Desobediência

Para tentar salvar o acordo e evitar que o pai, Jair Bolsonaro, saia da prisão domiciliar rumo ao Complexo Penitenciário da Papuda, o ex-presidente enviou aos EUA o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), com a missão de “amansar” o filho.
No entanto, Cavalcante, braço político de Silas Malafaia, voltou com a missão fracassada. Após reunião com Eduardo e Paulo Figueiredo, ele confessou que não conseguiu convencê-los a baixar a guarda. Questionado por um jornalista se Eduardo aceitaria o “PL da Dosimetria” em troca de unificação, a resposta foi incisiva: “isso sem chance”. Eduardo, inclusive, estaria sob acusação de coação pela conspirata nos EUA e estaria impedido de falar com o pai.
