Relator vota pela condenação dos réus e afirma que o crime foi uma tentativa de “limpar o terreno” para milicianos; Alexandre de Moraes destaca que a repercussão política surpreendeu os criminosos.
O voto de Moraes serviu como um dossiê sobre como o crime organizado no Rio opera com a certeza da impunidade, subestimando o impacto simbólico de Marielle.
🧩 Os Pontos-Chave do Voto do Relator

Moraes estruturou sua decisão baseada no tripé que sustentou o crime, segundo as investigações da Polícia Federal:
- O Alvo e o Preconceito: O ministro destacou que, na visão dos irmãos Brazão, Marielle era um alvo “fácil”. “Na cabeça preconceituosa dos mandantes, quem iria ligar para isso?”, questionou, apontando que o racismo e o machismo foram usados como cálculo de risco para a impunidade.
- O Alvo Original: Moraes confirmou que a milícia tinha Marcelo Freixo como foco inicial, mas a dificuldade de acesso ao então deputado fez com que voltassem o ódio para Marielle, que “peitava” interesses fundiários na Zona Oeste.
- A “Queima de Arquivos”: O magistrado ressaltou que, após a repercussão mundial, iniciou-se uma rede de assassinatos e obstruções para apagar os rastros que ligavam o Palácio do Tiradentes e o TCE-RJ ao local do crime.
🏛️ O Papel de Rivaldo Barbosa

Um dos momentos mais duros do voto foi sobre o ex-chefe da Polícia Civil. Moraes reforçou que Rivaldo não apenas omitiu-se, mas planejou a impunidade. Ele teria garantido aos mandantes que a investigação “não daria em nada” antes mesmo dos tiros serem disparados contra o carro de Marielle.
📝 O Placar do Julgamento

Até o momento, o cenário na Primeira Turma do STF indica uma condenação unânime:
- Alexandre de Moraes (Relator): Votou pela condenação total dos cinco réus.
- Próximos a votar: Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
🏛️ Reflexo em Pernambuco

A fala de Moraes sobre a “política do território” ressoa fortemente em estados como Pernambuco, onde conflitos de terra e a atuação de grupos de extermínio ainda são desafios reais. O julgamento é visto por lideranças locais como um recado de que o poder político não é salvo-conduto para o crime.
