O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) está realizando uma ofensiva nas redes sociais para tentar sabotar a reunião diplomática agendada entre o Brasil e os Estados Unidos, que ocorrerá nesta quinta-feira (16) em Washington. O encontro visa resolver a questão do “tarifaço” imposto por Donald Trump a produtos brasileiros.
A reunião será entre o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o chanceler brasileiro, Mauro Vieira.
Sabotagem por Motivos Políticos

Eduardo Bolsonaro, que está nos EUA, tem demonstrado crescente receio de que o Brasil e o governo Trump cheguem a um acordo, o que enfraqueceria sua influência e sua permanência no território americano.
Nesta quarta-feira (15), o deputado usou seu perfil oficial no X (antigo Twitter) para clamar por um “desencontro” nas conversas e insistiu que as tarifas impostas pelos EUA “não são uma questão comercial”, mas sim “de direitos humanos”.
A Argumentação do Tarifaço

O deputado utiliza a fala de membros da equipe de Trump para sustentar sua tese. Ele citou que o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, teriam reafirmado que a tarifa de 50% tem motivações políticas e de direitos humanos (40%) e apenas 10% de fatores comerciais.
Os principais pontos de “direitos humanos” destacados por Eduardo Bolsonaro para justificar a tarifa e, consequentemente, a sabotagem da reunião, são:
- Estado de Direito (uso do termo lawfare).
- Censura (referência a ordens secretas de Alexandre de Moraes).
- Prisões e detenções ilegais (citando Jason Miller e Flávia Cordeiro).
- Fluxo irregular de informações.
O representante comercial Jamieson Greer teria classificado a tarifa de 50% como uma “resposta moderada” e mais branda do que uma exclusão total do comércio.
O Medo do Retorno ao Brasil

A postagem de Eduardo Bolsonaro, que apela pela aprovação de anistia no Congresso para “normalizar a situação”, reflete o seu isolamento.
O deputado teme que um acerto comercial e diplomático entre os dois países resulte em seu “convite a se retirar” do território estadunidense. Caso retorne ao Brasil, ele se tornaria alvo de um processo judicial que poderia levá-lo à prisão, devido às suas ações consideradas de “lesa-pátria” e por traição ao próprio país, em decorrência dos problemas de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos de prisão pelos atos de 8 de janeiro.
