A nomeação do deputado Paulinho da Força (SD-SP) como relator do projeto que passou a ser chamado de “PL da dosimetria” tem gerado revolta entre bolsonaristas. As declarações do parlamentar indicam o naufrágio da anistia ampla e irrestrita, o que tem causado desespero, especialmente em Carlos Bolsonaro, diante do que parece ser o fim da esperança de um perdão para seu pai, Jair Bolsonaro.
A Ira Bolsonarista e as Declarações de Paulinho da Força

O primeiro atrito surgiu quando Paulinho da Força afirmou que o projeto não era mais sobre “PL da anistia”, mas sim o “PL da dosimetria”, e que não era mais focado em Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão pelo STF por liderar uma tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro, que contava com a anistia, vê suas chances diminuírem.
Ainda mais enfurecedora para a claque bolsonarista foi a declaração de Paulinho da Força de que o naufrágio da anistia ampla é culpa do também deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). “Se ele [Eduardo Bolsonaro] não estivesse nos EUA atacando a Suprema Corte, teríamos aprovado a anistia irrestrita para todos”, afirmou o relator, responsabilizando Eduardo também pelas tarifas impostas ao Brasil.
Ao tomar conhecimento dessas declarações, Carlos Bolsonaro expressou sua revolta, indicando que a anistia para seu pai estaria, ao que tudo indica, enterrada. “Nenhuma palavra define as atitudes deste sujeito…”, escreveu Carlos, em sinal de desespero.
O “Pacto Republicano” e o Enterro da Anistia

Paulinho da Força, que tem articulado um “pacto republicano” ao lado de figuras como Michel Temer (MDB) e Aécio Neves (PSDB), encontrou-se nesta sexta-feira (19) com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Ciro Nogueira acenou positivamente para a proposta de enterrar a anistia em troca do chamado PL da Dosimetria, que buscaria reduzir penas dos condenados pelo 8 de janeiro. Esse movimento solidifica a percepção de que a anistia ampla está cada vez mais distante.
