Em primeira Missa do Galo, Papa Leão XIV prega acolhimento e faz críticas à “economia que descarta o homem”

Redação Pernambuco Informa

Pontífice cita Bento XVI para defender imigrantes e crianças, sinalizando uma postura de resistência ética e social no Vaticano.

Em sua primeira celebração da Missa do Galo como líder da Igreja Católica, o Papa Leão XIV utilizou a tradicional cerimônia de Natal na Basílica de São Pedro para enviar uma mensagem contundente ao mundo. Focado na dignidade humana, o Papa defendeu o acolhimento de pobres, estrangeiros e crianças, conectando a fé cristã diretamente à responsabilidade social e política.

O “Lugar de Deus” é o Homem

Resgatando o pensamento de seu antecessor, o Papa Bento XVI, Leão XIV enfatizou que a espiritualidade não pode ser dissociada do cuidado com o próximo.

“Não há espaço para Deus se não há espaço para o homem. Para encontrar o Salvador, não é preciso olhar para cima, mas contemplar o que está aqui embaixo”, declarou o pontífice durante a homilia nesta quarta-feira (24).

Resistência às políticas de Donald Trump

A mensagem de Natal de Leão XIV ocorre em um contexto de clara tensão diplomática com a Casa Branca. Recentemente, o Papa aceitou a renúncia do cardeal conservador Timothy Dolan, em Nova York, substituindo-o por um bispo de perfil progressista e defensor de imigrantes.

A escolha é vista por analistas como um movimento estratégico do Vaticano para se opor às políticas de “tolerância zero” e deportações em massa do governo de Donald Trump. Em novembro, o Papa já havia endossado críticas da Conferência dos Bispos dos EUA contra as sanções impostas a imigrantes sem documentos.

Crítica ao modelo econômico e à “mercadoria humana”

O Papa também dedicou parte de seu discurso a uma crítica sistêmica, apontando os perigos de uma economia que prioriza o lucro sobre a vida.

  • Humanidade vs. Mercadoria: O pontífice alertou para uma “economia distorcida” que trata seres humanos como objetos de troca.
  • Poder e Escravidão: Leão XIV afirmou que, enquanto o homem tenta “tornar-se Deus” para dominar o próximo, o verdadeiro caminho divino é a libertação de todas as formas de opressão.

A celebração foi encerrada com um apelo à esperança, definindo o Natal como a história de um “Deus indefeso” que se torna força para os miseráveis e luz para os oprimidos.

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