Oposição articula novo pedido de impeachment e notícia-crime contra Alexandre de Moraes

Redação Pernambuco Informa
Protesters hold poster with message of impeachment in front of the National Congress during protest against the government's response to the fight against COVID-19 and demanding the impeachment of Brazilian President Jair Bolsonaro in Brasilia, Brazil, Saturday, January 23, 2021. Sergio Lima / AFP

A ala conservadora do Congresso Nacional iniciou, nesta segunda-feira (22), a coleta de assinaturas para protocolar uma nova ofensiva jurídica contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento inclui um pedido de impeachment e uma notícia-crime endereçada ao Ministério Público Federal (MPF), fundamentados em denúncias de suposto tráfico de influência.

A acusação: Suposta interferência no Banco Central

O estopim para a nova medida foi a divulgação de informações indicando que o ministro teria contatado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para interceder em favor do Banco Master. A instituição financeira é atualmente alvo de investigações por suspeitas de fraude.

O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS), um dos articuladores da ação, afirma que a conduta de Moraes configura o crime de advocacia administrativa. Segundo o parlamentar, o caso ganha contornos de conflito de interesses devido a contratos profissionais da esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes, com a referida instituição financeira, que somariam cerca de R$ 130 milhões.

“Nossa responsabilidade como fiscais do poder público é inescapável diante das revelações de que o ministro praticou advocacia administrativa junto ao Banco Central”, declarou Van Hattem em suas redes sociais.

Mobilização no Congresso e participação popular

De acordo com os líderes do movimento, dezenas de parlamentares já manifestaram apoio à iniciativa. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) também integra a linha de frente da ofensiva. Além do apoio legislativo, os congressistas estudam abrir o documento para a assinatura de cidadãos, amparados pelo direito constitucional de petição.

Van Hattem também mencionou o recente recuo do ministro Gilmar Mendes sobre decisões monocráticas que limitavam a participação popular em processos dessa natureza, utilizando o episódio para reforçar a pressão sobre a Suprema Corte.

O rito jurídico e os próximos passos

Para que um pedido de impeachment contra um ministro do STF avance, ele precisa ser aceito pelo Presidente do Senado. Já a notícia-crime enviada ao MPF busca a abertura de um inquérito para investigar se houve, de fato, o uso do cargo público para favorecer interesses privados.

Até o momento, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes e a assessoria do Banco Master não emitiram notas oficiais sobre as declarações dos parlamentares.

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