O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, deu uma declaração que diverge da versão apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o motivo de sua visita ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em novembro de 2025. O encontro ocorreu após a primeira prisão do então dono do Banco Master pela Polícia Federal.
De acordo com Valdemar, o parlamentar e pré-candidato à Presidência foi ao encontro de Vorcaro para “ver se conseguia o restante do dinheiro” destinado ao financiamento de Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
As versões divergentes sobre o encontro em São Paulo

A fala do dirigente partidário, concedida em entrevista à GloboNews, contrasta com as explicações dadas pelo próprio senador na semana anterior.
A versão de Flávio Bolsonaro:

- O senador afirmou a jornalistas que a visita à residência do empresário — que cumpria medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica — serviu para “pôr um ponto final” na parceria comercial.
- Flávio alegou que pretendia expressar sua insatisfação por não ter sido avisado sobre a gravidade da situação jurídica do investidor, o que teria colocado a produção do filme em risco e o obrigado a buscar novos apoiadores no mercado.
A versão de Valdemar Costa Neto:

- O presidente do PL afirmou que a intenção era checar a viabilidade do recebimento de parcelas remanescentes.
- “Ele queria terminar a relação com o Vorcaro: ‘Olha, vai me pagar? Você vai pagar o restante? Dá pra pagar o restante?’”, narrou Valdemar, descrevendo a abordagem do senador como algo “normal” dentro do contexto de captação de recursos.
Presidente do PL minimiza cobranças e cita “falta de opções”

Durante a entrevista, Valdemar Costa Neto buscou blindar a imagem política do pré-candidato do partido, minimizando o impacto das cobranças feitas por Flávio Bolsonaro ao empresário investigado.
O dirigente defendeu que a conduta do senador justificava-se pela necessidade técnica de viabilizar o orçamento do documentário, alegando que o parlamentar dispunha de poucas alternativas de investimento naquele momento. Questionado sobre a conveniência política de o senador visitar um investigado pela Polícia Federal logo após sua detenção, Valdemar rebateu de forma direta: “Ué, fazer o quê?”.
O caso segue repercutindo nos bastidores da legenda e no cenário político nacional, em meio ao andamento das investigações da operação “Dark Horse” e ao debate sobre o financiamento da produção audiovisual da família Bolsonaro.
